CPI vota nesta sexta relatório que aponta falhas médicas na morte de menino de 9 anos em UPA de Rio Grande
Relatório final será votado nesta sexta-feira (22) e aponta falhas no atendimento prestado a Joaquim Klinger em Rio Grande
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a morte de Joaquim Klinger, de 9 anos, deve votar nesta sexta-feira (22) o relatório final sobre o caso ocorrido na UPA Cassino, em Rio Grande. A sessão está marcada para as 13h30 e encerra os trabalhos iniciados após a morte do menino, registrada em 27 de maio de 2025.
O documento elaborado pela comissão aponta que protocolos da própria Secretaria Municipal de Saúde para casos de asma grave e insuficiência respiratória não teriam sido seguidos corretamente durante o atendimento da criança.
Segundo a CPI, houve demora na realização da intubação mesmo diante do agravamento do quadro clínico e de alertas feitos por profissionais da enfermagem e pelos pais do menino.
O relatório também considera inadequado o uso do medicamento Haldol e a tentativa de administração de clonazepam, afirmando que os remédios não estavam previstos no protocolo para tratamento de asma grave e poderiam agravar o estado respiratório do paciente.
Conforme a comissão, os elementos reunidos podem indicar, em tese, homicídio culposo grave ou até dolo eventual por omissão por parte dos médicos envolvidos, além de possível responsabilidade administrativa da Secretaria Municipal de Saúde.
A relatora da CPI, a vereadora Laurinha (MDB), afirmou que o parecer reúne documentos, depoimentos e conclusões obtidas ao longo das oitivas. Segundo ela, a votação deve ser apertada entre os 13 vereadores que integram a comissão.
Durante a investigação, foram ouvidos profissionais da saúde, técnicos de enfermagem, médicos, representantes da Furg e integrantes da administração municipal. Dois médicos envolvidos no atendimento não prestaram depoimento e informaram que permaneceriam em silêncio.
O caso segue sendo investigado também pelo Ministério Público, que ainda não apresentou denúncia à Justiça.
De acordo com o atestado de óbito, Joaquim morreu em decorrência de insuficiência respiratória e crise asmática. O menino deu entrada na UPA do Cassino na madrugada de 27 de maio de 2025 com sinais de crise asmática e possível complicação por H1N1.
Conforme os registros de enfermagem, a primeira sugestão de intubação ocorreu por volta das 5h, mas o procedimento não foi realizado naquele momento. Após piora clínica e uma parada cardiorrespiratória, a morte foi confirmada às 7h15.
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