'Copa do Povo': famílias prometem resistir a reintegração
A Justiça determinou o fim da ocupação em São Paulo; acampamento reúne 2,8 mil famílias sem-teto
8 mai2014 - 16h48
(atualizado às 16h52)
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Sem-teto ocupam terreno na região da Arena Corinthians, em São Paulo
Foto: Peter Leone / Futura Press
As mais de 2,8 mil famílias sem-teto que ocupam, desde o último sábado, um terreno em Itaquera, zona leste paulistana, prometem resistir à ação de reintegração de posse determinada na quarta-feira pelo Tribuna de Justiça de São Paulo. A liminar, concedida pelo juiz Celso Maziteli Neto, estabelece que fica autorizada a expedição de um mandado de despejo, caso eles não deixem o local voluntariamente em 48 horas. O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) disse, por meio de nota, que vão recorrer da decisão em favor da Viver Incorporadora, "por considerá-la injusta e descriteriosa".
Para o movimento, a medida desconsidera o fato de que a área está abandona há anos e, portanto, não cumpre função social. O MTST promete não sair da área até que haja negociação para uma solução habitacional digna para as famílias. Em caso de despejo forçado, o movimento promete resistir. "Não queremos outro massacre do Pinheirinho. Nem que a imagem da Copa do Mundo no Brasil seja definitivamente marcada por um conflito violento e massacre de trabalhadores sem-teto", diz a nota.
A ocupação, que teve início na madrugada de sábado, foi batizada de Copa do Povo, porque fica a apenas 4 quilômetros do estádio do Corinthians, o Itaquerão, que vai sediar a abertura dos jogos. "Escolhemos esse terreno justamente para dialogar com esses contrastes da Copa do Mundo. Bilhões são gastos com o evento e do outro lado temos milhares de pessoas sem moradia", explicou Josué Rocha, integrante do MTST. Ele destaca que o evento fez com que o preço dos aluguéis duplicasse, aumentando ainda mais o déficit habitacional na região.
O prefeito Fernando Haddad disse, na última segunda-feira, que avalia a possibilidade de transformar o terreno em área de interesse social por meio do Plano Diretor, que ainda vai ser votado em segunda discussão na Câmara de Vereadores. A assessoria do vereador Nabil Bonduki, relator do plano, informou que o atual zoneamento define a área como predominantemente industrial. Disse ainda que essa alteração é possível por meio de emenda, mas que é necessária uma análise técnica sobre a viabilidade de um projeto habitacional no local.
A Viver Incorporadora informou, por meio de nota, que o terreno em questão é de sua propriedade e que não existe inadimplência de impostos em relação a essa área.
5 de maio - Integrantes do MTST continuam ocupação de terreno próximo à Arena Corinthians
Foto: Peter Leone / Futura Press
3 de maio - Sem-teto ocupam terreno na região da Arena Corinthians, em São Paulo
Foto: Gabriela Biló / Futura Press
3 de maio - Grupo montou acampamento no terreno que é particular
Foto: Peter Leone / Futura Press
3 de maio - Ocupação ocorreu de maneira pacífica
Foto: Peter Leone / Futura Press
3 de maio - Segundo o MTST, ocupação reúne 1 mil famílias
Foto: Gabriela Biló / Futura Press
6 de maio - Segundo MTST, a única resposta do poder público até agora para o acampamento foi feita pelo prefeito Fernando Haddad, que disse que a prefeitura analisará se há realmente uma dívida e se a área é passível de produção de moradia.
Foto: Bruno Santos / Terra
6 de maio - Movimento diz que há uma dívida com o poder público que pode viabilizar a compra do terreno para construção de moradias populares
Foto: Bruno Santos / Terra
6 de maio - Pessoas acampadas conseguem água, mas não têm saneamento básico no local
Foto: Bruno Santos / Terra
6 de maio - Muitos dos acampados são de famílias que não conseguiram pagar seus aluguéis
Foto: Bruno Santos / Terra
6 de maio - A região do estádio, afirma o movimento, sofre com a especulação imobiliária, principalmente por causa da Copa do Mundo
Foto: Bruno Santos / Terra
15 de maio - Bandeira colocada em meio à ocupação traz imagem de caveira
Foto: Alan Morici / Terra
15 de maio - Mulher prepara comida em cozinha improvisada no acampamento
Foto: Alan Morici / Terra
15 de maio - Homem prepara estrutura para instalar barraco
Foto: Alan Morici / Terra
15 de maio - Após ocupação, barracos foram montados no terreno
Foto: Alan Morici / Terra
15 de maio - Bandeira do MTST foi colocada no terreno pelos responsáveis pela ocupação
Foto: Alan Morici / Terra
15 de maio - Homem carrega colchão e outros itens em ocupação
Foto: Alan Morici / Terra
15 de maio - Segundo MTST, ocupação é forma de pressionar governo
Foto: Alan Morici / Terra
15 de maio - Mantimentos são guardados de maneira improvisada em ocupação
Foto: Alan Morici / Terra
4 de junho - Manifestantes do MTST ocupam a Radial Leste em em frente à estação Vila Matilde do Metrô, em São Paulo
Foto: Alan Morici / Terra
4 de junho - O ato reclama da reintegração de posse de um terreno na região da Arena Corinthians, estádio de futebol conhecido popularmente como Itaquerão, marcada para o dia 16 de junho em plena Copa do Mundo
Foto: Alan Morici / Terra
4 de junho - PMs observam a manifestação
Foto: Alan Morici / Terra
4 de junho - A passeata chegou à Arena Corinthians, estádio que será palco da abertura da Copa no dia 12
Foto: Alan Morici / Terra
4 de junho - Manifestante se enrola em bandeira brasileira
Foto: Alan Morici / Terra
4 de junho - Os manifestantes dizem que reuniram 25 mil pessoas, a PM contabilizou 12 mil
Foto: Alan Morici / Terra
4 de junho - O MTST ameaça fechar vias em dias de jogos na Copa do Mundo
Foto: Alan Morici / Terra
4 de junho - Os sem-teto ameaçaram intervir na reunião da Fifa em São Paulo
Foto: Alan Morici / Terra
4 de junho - Eles questionaram os benefícios da Copa do Mundo para os brasileiros
Foto: Alan Morici / Terra
4 de junho - Os sem-teto aplaudiram os operários que constróem a Arena Corinthians, e foram aplaudidos de volta