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Com vagas em hotéis, dependentes são removidos de barracos na Cracolândia

15 jan 2014
09h51
atualizado às 11h09
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A prefeitura de São Paulo iniciou, na manhã desta quarta-feira, o processo definitivo de remoção dos barracos que tomaram conta da região da Cracolândia, no centro da capital. Por volta das 7h30, carros de limpeza começaram a remover a sujeira da alameda Dino Bueno, uma das mais ocupadas pelos dependentes químicos e moradores de rua.

A prefeitura enviou carros de limpeza e caminhões para transportar os entulhos do local
A prefeitura enviou carros de limpeza e caminhões para transportar os entulhos do local
Foto: Thiago Tufano / Terra

A prefeitura, que já ofereceu vagas em hotéis e emprego para os usuários de crack, disponibilizou caminhões para a retirada dos barracos, que são desmontados pelos próprios moradores. Segundo o secretário de Segurança Urbana,  Roberto Porto, cerca de 100 moradores das ruas da Cracolândia foram encaminhados para hotéis e a maioria deve começar a trabalhar a partir de amanhã, principalmente na área de zeladoria urbana, na limpeza de locais públicos.

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Para a líder comunitária Rita Rose, esse é o caminho correto para a recuperação dos dependentes químicos. "Eles (usuários) estão muito calmos e esperançosos. Alguns deles chegaram a chorar quando entraram nos hotéis. Muitos não acreditam, mas vai dar tudo certo. É um processo muito longo, mas todos estão colaborando muito. Eles encaram isso como uma oportunidade. A pessoa vai ter que caminhar devagar. Até chegar onde tem que chegar”, disse.

Morador da Cracolândia há quatro anos, Adeílton Adão ainda aguarda uma vaga em um dos hotéis da região. “Falaram que íamos ter que tirar os barracos da rua e agora estou esperando para ir para o hotel", disse Adão, enquanto esperava alguma resposta em frente ao hotel.

Com duas malas nas mãos, ele reclama da demora por respostas. “Estou cadastrado desde a semana passada, mas ainda não deixaram a gente entrar no hotel. Acho que não vou conseguir me libertar do crack", disse, resignado.

Operação Braços Abertos
A nova ação na região da Cracolândia, idealizada pela prefeitura de São Paulo e chamada de Operação Braços Abertos, teve início oficial nesta quarta-feira. O objetivo inicial da administração municipal é retirar os barracos montados pelos usuários de crack nas calçadas das ruas Helvétia e Dino Bueno. Porém, essa retirada - que já teve início de maneira isolada na segunda-feira - é feita voluntariamente pelos dependentes químicos, que serão encaminhados para quartos de hotéis no centro da capital paulista.

A ação da prefeitura reúne as secretarias de Saúde, Segurança Urbana, Assistência Social, Trabalho e Desenvolvimento Urbano, e o modelo será baseado numa experiência exitosa feita com alcoólatras na Holanda, que prevê trabalho, moradia e tratamento de saúde para os dependentes. A ideia que, em uma semana, os barracos já não estejam mais nas calçadas.

Os quartos serão divididos entre famílias, casais e solteiros. As secretarias cadastraram 300 dependentes químicos no novo programa, que também dará emprego de zeladoria na cidade, cursos de capacitação, seguro de vida, alimentação e R$ 15 por dia, que serão pagos semanalmente aos que aderirem ao programa. O custo por pessoa para a prefeitura será de um salário mínimo e meio, ou seja, R$ 1.017.

Segundo a prefeitura, a adesão foi bem aceita pelos dependentes químicos e 99% dos usuários irão participar do programa inicialmente. Além da organização não governamental (ONG) União Social Brasil Gigante, 180 funcionários das secretarias de Assistência Social e Saúde acompanharão os viciados 24 horas por dia. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) passou por um treinamento especial e estará de prontidão no local para evitar que os dependentes voltem a construir barracos nas calçadas.

Na área da saúde, em 2013, a prefeitura ampliou de quatro para 16 as equipes de programa Consultório na Rua, que trabalham no acolhimento e encaminhamento para tratamento. Dessas 16 equipes, oito delas está na subprefeitura da Sé, sendo que duas delas estão especificamente na Cracolândia. Somente em janeiro de 2014, 253 pessoas foram encaminhadas ao tratamento.

A Assistência Social foi responsável pelo cadastramento dos dependentes e acomodação das pessoas. Na segunda etapa da operação, com a retirada dessas pessoas da rua, a prefeitura prevê uma diminuição da oferta de drogas na região. Para as pessoas que frequentam a região, mas não moram na Cracolândia, ainda restam 100 vagas no novo programa.

Na questão do trabalho, os usuários serão remunerados e ficarão quatros horas por dia trabalhando na limpeza urbana de parques e praças da região central da capital paulista, além de outras duas horas em cursos de capacitação.

Fonte: Terra
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