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Cidades

Cientista social fala em 'tragédia' na segurança do Rio; ex-Bope vê risco calculado

Exército tinha evitado confrontos diretos em favelas do Rio até agora, diz coordenadora do Observatório da Intervenção Federal

21 ago 2018 - 00h27
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RIO - A cientista social Silvia Ramos, coordenadora do Observatório da Intervenção, da Universidade Cândido Mendes, classificou as mortes nesta segunda-feira de dois militares - as primeiras mortes militares desde o início da intervenção no Rio - como "tragédia", que aumenta a tensão na segurança do Rio "a um nível inédito".

"O medo dentro das comunidades cresceu a um ponto que não víamos havia quase uma década. Os moradores se perguntam o que o Exército fará, e muitos temem que 'operações-vingança' ocorram, como já ocorreu no passado, quando policiais morreram em serviço."

Ela também se mostrou preocupada com uma mudança: a entrada de militares nas favelas para operações de combate. "Pela primeira vez desde o começo da intervenção, os agentes das Forças Armadas entraram nas comunidades", disse. "Essa foi uma mudança preocupante em relação ao que vinha ocorrendo até aqui. Até então, os soldados do Exército faziam parte de operações, mas cuidavam para não haver confrontos diretos e não haver baixas."

A ação militar desta segunda-feira, 20, nas comunidades surpreendeu a especialista. "Não esperávamos que, a quatro meses do fim da intervenção, o comando das Forças Armadas pudesse adotar as estratégias que mais deram errado no Rio: o confronto aberto, as mortes de agentes e de opositores armados dentro das áreas mais habitadas da cidade", continuou. "É com essa estratégia que o comando da intervenção pretende reduzir a violência?".

Para o ex-integrante do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM do Rio e mestre em antropologia social Paulo Storani, os militares sabem dos riscos a que se submetem nas operações. As mortes, opinou, não devem alterar a gestão da intervenção. "As operações têm um nível de risco, que é aceito pelas tropas que participam. Lamentavelmente hoje houve mortes de militares, mas nada diferente da realidade do Rio, onde centenas de pessoas morrem por ano, policiais, criminosos e até inocentes - vítimas de balas perdidas."

"O máximo que pode acontecer é uma avaliação de como se deu o fato e a orientação para que os militares tomem determinados cuidados", afirma Storani. "Mas isso vai depender de ter havido uma exposição desnecessária do militar ou se foi um caso fortuito, durante uma troca de tiros."

Estatísticas

Entre os agentes de segurança do Estado, houve ainda neste ano mortes de 64 policiais militares, cinco policiais civis e 4 servidores penitenciários, segundo o balanço mais atual do Disque-Denúncia, divulgado em 30 de julho. Não houve registro de óbitos de policiais neste mês.

Já em relação às mortes em confrontos com as forças policiais, foram 895 ocorrências, entre o começo de janeiro e o fim de julho, conforme dados do Instituto de Segurança Pública fluminense (ISP).

Estadão
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