Bebê é internado com bronquiolite e precisa amputar o pé; família acusa hospital de negligência
Heitor Gustavo Ribeiro, de dois meses, desenvolveu infecção e esperou por mais de 20 dias a transferência para a capital da Bahia
Heitor, um bebê diagnosticado com bronquiolite, foi internado em um hospital na Bahia e, durante a internação, ele desenvolveu uma infecção. Posteriormente, os médicos recomendaram a amputação de seu pé devido ao agravamento do quadro. A família denuncia negligência do hospital.
Um bebê de dois meses teve o pé direito amputado no Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador, após complicações durante o tratamento de uma bronquiolite. Heitor Gustavo Ribeiro havia sido internado inicialmente no Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio, em Ilhéus (BA), mas desenvolveu uma infecção grave que levou à necrose do membro.
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A família atribui o agravamento do caso à negligência médica. Relatos da mãe, Sara Ribeiro, à TV Bahia, indicam que após a internação em 16 de maio, o bebê sofreu parada cardiorrespiratória durante exame de raio-X. O uso de acesso venoso no pé direito teria levado ao vazamento de medicamento, desencadeando infecção no calcanhar.
"Está sendo uma dor muito grande, não está sendo fácil. Foi uma gestação tranquila, meu filho nasceu saudável, perfeito, só que ele precisou ser internado com bronquiolite, que ocasionou a necrose do pé. E acredito que foi por causa da demora no tratamento, que foi só piorando e agravando o pé do meu filho. Teve um momento em que eu vi o osso do pé dele", disse Sara em entrevista à afiliada da Globo.
De acordo com a mãe, o filho chegou ao hospital, recebeu atendimento e, no raio-X, foi diagnosticado com bronquiolite. Ele foi internado e intubado. Durante o procedimento de intubação, foi necessário realizar um novo raio-X, e, no momento em que o menino foi levantado, o tubo saiu acidentalmente, ocasionando uma parada cardiorrespiratória.
Segundo a mãe, foi ela quem percebeu o vazamento da medicação no dia 17 de maio. Ela relata que, inicialmente, um dos profissionais da saúde que acompanhava o filho teria confundido o líquido com urina.
"Eu acredito, sim, que foi uma negligência, porque não teve uma assistência, uma atenção no acesso que estava no pé dele, e eu que vi [o vazamento] no outro dia. O pé dele estava muito roxo. A princípio, o técnico de enfermagem falou que era urina e depois falou que deu infiltração", contou.
Heitor foi transferido para a capital baiana somente 22 dias depois, após a família acionar o Ministério Público da Bahia (MP-BA) e obter uma ordem judicial que determinava a regulação do caso.
No Hospital Geral do Estado, depois de alguns dias de tratamento, os médicos recomendaram à família que autorizasse a amputação do pé do bebê devido à gravidade de seu estado de saúde. "É uma dor, um sofrimento, porque eu tive que assinar a autorização para amputar o pé dele", lamentou a mãe à emissora.
O que diz a Secretaria de Saúde
Em nota ao Terra, a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) informa que o paciente deu entrada no Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio, em Ilhéus, em meados de maio.
"Imediatamente acolhido pela equipe da unidade, foi encaminhado para a UTI Pediátrica, onde passou a receber cuidados intensivos. Durante a internação, houve uma piora no estado clínico do paciente, sendo necessário o estabelecimento de um acesso venoso para administração de medicamentos. Como complicação inerente ao tratamento devido à gravidade do caso, evoluiu com lesão na região do pé direito, passando a ser acompanhado por um especialista em cirurgia vascular", diz a pasta.
A Secretaria de Saúde alega que, diante da complexidade do caso clínico apresentado, e visando assegurar a continuidade do tratamento em ambiente com estrutura especializada, o paciente foi transferido para o Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador, onde segue recebendo os cuidados necessários.
A SESAB também afirma que, ao longo de toda a permanência em ambas as unidades, o bebê recebeu assistência integral, ininterrupta e humanizada, conduzida por equipes multiprofissionais, qualificadas, conforme os protocolos clínicos estabelecidos.
"Ressaltamos que todos os procedimentos adotados foram informados aos familiares. Para que sejam apuradas todas as condutas no Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio, será aberta uma sindicância. A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) reafirma seu compromisso com a qualidade da assistência prestada, com a humanização do cuidado e com o suporte integral à família do paciente", diz a nota.
A pasta acrescenta que as equipes das unidades estão disponíveis para esclarecer quaisquer dúvidas em relação às condutas adotadas.