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3 pessoas são mortas em ação da PM em Bangu; criança de 2 anos é ferida

Uma das vítimas, mulher seria mãe do menino que foi atingido e está em observação em hospital da zona oeste do Rio

14 ago 2019
09h05
atualizado às 23h44
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RIO - Uma jovem mãe de 17 anos, Margareth Teixeira da Costa, foi atingida e morta por uma bala perdida quando levava no colo o filho, um bebê de um ano e 10 meses, na Comunidade 48, em Bangu, zona oeste do Rio de Janeiro, na noite desta terça-feira, 13.

O menino, cujo nome não foi divulgado, foi atingido de raspão em um dos pés. Os dois foram alvejados em meio a um tiroteio entre PMs e criminosos. No confronto, dois suspeitos foram mortos. Margareth foi mais uma das jovens vítimas de ações violentas de bandidos ou tiroteios entre policiais e criminosos, desde a manhã de sexta-feira. Nenhuma tinha envolvimento aparente com crimes. Outras cinco pessoas com esse perfil foram mortas.

Gabriel Alves, de 18 anos, foi atingido no peito quando esperava o ônibus para ir ao colégio - naquele momento, PMs e traficantes trocavam tiros no Morro do Borel, na Tijuca, perto do ponto. Já Dyogo Xavier de Brito, de 16 anos, foi atingido nas costas em operação da PM em favelas de Niterói, na terça. Ele era atleta da base de futebol do América-RJ e iria treinar. Até chegou a ser socorrido pelo avô, Cristóvão de Brito, que criticou os PMs - que teriam acusado o jovem de ser traficante.

Em Magé, Henrico de Jesus Menezes Júnior, de 19 anos, foi atingido na cabeça quando buscava sua moto no conserto, na segunda-feira. A oficina mecânica fica na comunidade Terra Nova. No momento em que o jovem chegou ao local, policiais militares e traficantes entraram em confronto.

Já Lucas Monteiro Costa e o amigo Tiago Freitas, ambos de 21 anos, foram mortos quando um bando invadiu uma festa no Encantado, zona norte do Rio. O grupo estava atrás de um desafeto, que foi ferido. Os jovens acabaram baleados durante o tiroteio e morreram no local.

Nesta quarta, uma operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na Mangueira, morro da zona norte do Rio, provocou intensa troca de tiros com traficantes da favela desde o início da manhã. Vias do entorno, próximo do Estádio do Maracanã, foram interditadas.

A seccional do Rio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) manifestou "sua profunda preocupação com a política de segurança pública executada pelo governo do Estado". "As mortes recentes de seis jovens pardos e negros é algo inadmissível e não podem ser tratadas como efeito colateral."

A pedido da Defensoria Pública do Estado, em um processo que tramita desde 2016, o Tribunal de Justiça do Rio decidiu vetar operações policiais nas comunidades do Complexo da Maré, na capital fluminense, em horário de deslocamento escolar e fixou a necessidade de haver ambulâncias acompanhando essas ações. Foi restabelecida uma liminar de dois anos atrás, derrubada no ano passado.

Governo

Em nota, a PM afirmou que todas as suas operações são pautadas por informações da área de inteligência e seguem protocolos rígidos. Ainda segundo o texto, se houver feridos nessas ações, é automaticamente instaurado inquérito policial-militar. Havendo mortes, elas são investigadas, com acompanhamento "isento" da Corregedoria e do Ministério Público. À TV Globo, o secretário de Governo do Rio, Cleiton Rodrigues, negou que a política de segurança, de enfrentamento armado, esteja errada. "Estamos todos os dias trabalhando para que elas (as mortes) não aconteçam."

Com 434 vítimas no Rio durante o primeiro trimestre de 2019, o número de mortos pela polícia no Estado foi o maior em 21 anos para o período.

Estadão
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