Castelo medieval no interior da França vira palco para festival de música brasileira
O que poderia parecer improvável se tornou realidade pelas mãos do francês Louis de Survilliers: juntar música brasileira a um castelo medieval do século 13 no interior da França. O Festival Quat'Sos Bossa & Jam mistura bossa nova, MPB e jazz em um ambiente medieval e intimista com vinhos da região de Bordeaux nos dias 24 e 25 de julho em La Réole, cidadezinha de cerca de 5 mil habitantes.
O idealizador do evento é um músico francês de 33 anos, que passou parte da infância no Brasil, experiência que deixou marcas profundas em sua formação e ajudou a moldar o projeto. O cenário escolhido para o festival também tem um significado especial: o Château des Quat'Sos pertence à sua família e foi recuperado pelos pais há alguns anos.
"Eu sempre sonhei em montar um festival em volta da música brasileira", conta Louis de Survilliers. Para ele, o encontro entre um monumento histórico e a música brasileira cria uma identidade única. "É a parte interessante do festival. Essa mistura da Idade Média com a música brasileira faz surgir um evento com uma identidade peculiar".
A programação da terceira edição reflete justamente essa ideia de encontro entre culturas. Louis, que também se apresenta no festival com o projeto Louis na Bossa, explica que a maioria dos artistas convidados faz parte da cena musical que frequenta em Paris.
Festival reúne diferentes gerações da MPB
O resultado é um cartaz que reúne diferentes gerações e estilos da música brasileira. Na sexta-feira, sobem ao palco Louison Camio, a cantora paulistana Nanná Milano e o músico brasileiro Sidney Rodrigues, violonista radicado na França há mais de duas décadas e conhecido por seu trabalho entre a MPB, a bossa nova e o jazz.
No sábado, a programação continua com Louis na Bossa, seguido pelo trio franco-brasileiro Nácar, que explora a fusão entre tradições afro-indígenas do Nordeste brasileiro e música eletrônica contemporânea. As duas noites terminam com uma jam session, proposta que ocupa um lugar central na filosofia do festival.
"A ideia sempre foi dar uma visão global do Brasil, mostrar a cultura brasileira na sua diversidade", explica o organizador. "As jam sessions permitem que artistas de universos diferentes se encontrem, toquem juntos e criem justamente essa mistura."
Relação com a música brasileira
A relação de Louis com a música brasileira vem da infância. Filho de uma família ligada à música clássica, ele cresceu ouvindo os sons descobertos pelos pais durante os anos vividos no Brasil.
"Eu venho de uma família de músicos clássicos. A minha tia é pianista, eu fiz conservatório, canto lírico. Quando meus pais descobriram a música brasileira, foi uma revelação para eles. Essa relação com a música brasileira vem desde quando eu era menininho", conta Louis.
"Sempre escutei música brasileira. É algo que faz parte de mim e procuro transmitir ao público, por meio da minha arte, a minha visão da música brasileira", diz. Para o músico, a força da música brasileira está justamente na capacidade de reunir características aparentemente contraditórias.
"A música brasileira é uma mistura de sofisticação com simplicidade, talvez, porque a música brasileira consegue ser simples ao mesmo e, ao mesmo tempo, super complexa. É uma música muito alegre, mas que é triste também porque tem aquela coisa da saudade. A música brasileira não é só do gosto dos franceses, é uma música universal", destaca.
Além dos concertos, o público poderá aproveitar vinhos da região de Bordeaux, food trucks e uma atmosfera intimista que diferencia o evento dos grandes festivais de verão.
O Quat'Sos Bossa & Jam acontece nos dias 24 e 25 de julho, com abertura dos portões às 19h e início dos concertos às 20h, no Château des Quat'Sos, em La Réole. Os ingressos custam € 15 para um dia e € 20 para os dois dias do festival e podem ser encontrados nas redes sociais do Château des Quat'Sos.
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