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Butantan reclama de atraso da Anvisa em importação de insumo da CoronaVac; agência rebate

22 out 2020
21h12
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O Instituto Butantan reclamou nesta quinta-feira de um suposto atraso de mais de um mês da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em analisar pedido de importação de insumos da vacina chinesa contra Covid-19 CoronaVac, mas o órgão regulador contestou e disse que a questão será respondida em até cinco dias úteis, negando que tenha atrasado o processo.

Embalagens da CoronaVac
04/09/2020
REUTERS/Tingshu Wang
Embalagens da CoronaVac 04/09/2020 REUTERS/Tingshu Wang
Foto: Reuters

"O Instituto Butantan aguarda, desde 18 de setembro, parecer da Anvisa ao pedido de importação de matéria-prima para produção da CoronaVac no Brasil. A agência só deve deliberar sobre o tema daqui a três semanas, impactando as perspectivas de produção e disponibilização de vacina contra a Covid-19 para a população brasileira", afirmou o Butantan em nota.

O centro de pesquisa biológica paulista, que será responsável pela produção da CoronaVac no Brasil, disse no comunicado que o pedido tem "caráter excepcional para agilizar o fornecimento do imunizante no Brasil, contribuindo para salvar vidas e combater a pandemia", e acrescentou que "obviamente" a vacina não será aplicada sem a aprovação e registro da Anvisa.

Também em nota, a Anvisa disse que devido ao período de transição da composição da sua diretoria colegiada --na terça-feira o Senado aprovou a indicação de quatro diretores--, a decisão sobre o pedido de importação foi colocada em um sistema que prevê a coleta de votos por meio eletrônico.

"Este tipo de votação deve apresentar decisão em no máximo 5 dias úteis. Desta forma, a decisão não depende da realização de reunião presencial de Diretoria Colegiada", afirmou.

A agência também destacou que, ainda que o pedido de importação seja autorizado, a vacina não pode ser aplicada na população, tendo em vista que a CoronaVac não possui registro sanitário no Brasil.

"A Anvisa reafirma o compromisso de trabalhar de forma técnica e com a missão de proteger a saúde da população brasileira", concluiu.

A vacina chinesa virou tema de disputa acirrada entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria, seu desafeto político, uma vez que o Butantan é ligado ao governo paulista.

Bolsonaro vetou um acordo costurado por seu ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que previa a compra de 46 milhões de doses da vacina produzida pelo Butantan com o objetivo de integrar o Programa Nacional de Imunização.

Apesar da disputa, o Butantan disse esperar que a agência "reavalie prazos e contribua para resguardar a saúde pública e a proteção dos brasileiros".

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