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Bolsonaro diz que responderá STF sobre caso Santa Cruz

2 ago 2019
09h50
atualizado às 10h30
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Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto
01/08/2019
REUTERS/Adriano Machado
Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto 01/08/2019 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que vai responder ao Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo sem ser obrigado, a respeito das declarações feitas esta semana sobre o desaparecimento do pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, durante a ditadura militar.

"Mesmo eu não sendo obrigado, eu presto (esclarecimentos). Eu não falei nada demais. Eu vou entregar o vídeo e vou fazer a degravação e mandar. Eu confio no ministro", disse Bolsonaro em entrevista na saída do Palácio da Alvorada, ao ser questionado sobre decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo, que estabeleceu prazo de 15 dias para o presidente responder questionamentos feitos pelo presidente da OAB, caso queira.

"Só transcrever o que eu falei aqui para vocês (jornalista). O que que eu falei demais para vocês? Me responda. O que eu tive conhecimento na época. Eu ofendi o pai dele? Não ofendi o pai dele. O que eu tive de conhecimento na época, o assunto foi esse", acrescentou.

O presidente da OAB ingressou com ação no STF pedindo que Bolsonaro esclareça declarações dadas na segunda-feira de que pode contar a Santa Cruz como seu pai desapareceu durante a ditadura militar na década de 1970. Segundo Bolsonaro, Fernando Santa Cruz Oliveira era membro do grupo Ação Popular, classificado por ele como "sanguinário", e foi morto por integrantes da própria organização de esquerda.

As declarações de Bolsonaro vão contra as informações da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que afirma que Fernando Santa Cruz Oliveira foi visto pela última vez em fevereiro de 1974, quando foi preso no Rio de Janeiro por agentes do DOI-Codi.

Em buscas por ele, a família recebeu diversas negativas de que tivesse sido preso, mas em suas investigações a CNV encontrou um relatório do Ministério da Aeronáutica da década de 1990 em que se informava ao Ministério da Justiça que ele havia sido preso em 23 de fevereiro de 1974 e era considerado desaparecido desde então. Ele tinha 26 anos.

Apenas em 2014, com o relatório da CNV, ele foi considerado oficialmente morto.

Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira lamentar as mortes ocorridas durante o regime militar, mas disse que só houve violência devido a uma tentativa de se implementar o comunismo no país.

"Eu lamento todas as mortes que tiveram dos dois lados. Se não tivesse aquela vontade de implementar o comunismo no Brasil, não teria acontecido nada disso, tivessem aceitado a normalidade que aconteceu, nada teria acontecido", afirmou.

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