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Ayres Britto: temor do abuso não autoriza censura à imprensa

22 out 2014 - 19h32
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Advogados e jornalistas discutiram na manhã desta quarta-feira a liberdade de imprensa e a democratização da comunicação no Brasil em um dos painéis do Congresso Brasileiro de Advogados, que ocorre nesta semana, no Rio de Janeiro. O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto defendeu a importância da rejeição da censura prévia.

<p>Para o ex-ministro do STF Ayres Britto &quot;n&atilde;o se pode impedir que o Judici&aacute;rio fale por &uacute;ltimo&quot;</p>
Para o ex-ministro do STF Ayres Britto "não se pode impedir que o Judiciário fale por último"
Foto: Nelson Jr/STF / Divulgação

"Não se pode impedir que o Judiciário fale por último, nem que a imprensa fale primeiro", disse o ex-ministro, que apontou o fato de a liberdade de expressão, por vezes, se confrontar com outros direitos estabelecidos constitucionalmente, como o direito à imagem, à honra e à intimidade.

Para ele, "a Constituição não hipotetiza a violabilidade do direito de liberdade de expressão. Para os direitos de intimidade, da imagem e honra, ela admite, mas assegura o direito de reparação. A lógica da Constituição foi essa. Não é pelo temor do abuso que vai se proibir o uso".

Ayres Britto disse que a reparação é prevista em lei, com indenizações e direito de resposta. "O próprio nome diz, o direito de resposta vem depois. Primeiro, vem a liberdade de pensamento", destacou o ministro, que também alertou para o fato de a Constituição proibir a formação de monopólios e oligopólios, o que considerou importante para avaliar o respeito à lei.

O professor da Universidade Federal de Alagoas, Marcelo Machado, acredita que a formação de oligopólios e monopólios, proibida no artigo 220, "foi jogada na lata do lixo pela concentração dos veículos de comunicação". "Sou contra a liberdade de imprensa que é confundida com liberdade de empresa. Ela está censurada pelos meios que a monopolizaram e se apropriaram dela". Machado afirmou que quem levanta a discussão é considerado a favor da censura, mas declarou-se contrário às restrições da liberdade. "Sou contra a liberdade de imprensa que está aí, porque sou a favor da liberdade de imprensa".

Diretor jurídico da Rede Globo, Carlos Araújo defendeu que a publicação de biografias não requeira autorização prévia dos biografados, o que, segundo ele, vem acontecendo via ações judiciais. Araújo defendeu a Ação Direta de Inconstitucionalidade ajuizada pela Associação Nacional dos Editores de Livros contra os artigos 20 e 21 do Código Civil, que permitem aos biografados pedir a proibição da circulação de suas biografias. "Não se trata de defender a invasão da privacidade", explicou.

O jornalista Luís Nassif criticou a visão de que as reparações previstas na lei funcionem. "Entre a realidade e a teoria dos fundadores da democracia americana, você tem um abismo de lodo e de assassinatos de reputação". Segundo ele, na prática, os meios de comunicação não são punidos, e as pessoas atacadas têm medo de reagir e sofrer retaliações. Nassif acredita que a internet reduz o poder absoluto da mídia, opinião compartilhada pelo jurista Luiz Fábio Gomes. Ele vê na mobilização online uma forma de democratizar a comunicação e aumentar a participação política e a fiscalização do estado.  

Agência Brasil Agência Brasil
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