Acidentes Aéreos no Brasil: pequenas aeronaves lideram incidência e fatalidades
Queda de avião na Barra Funda (SP) evidencia uma problemática de alta incidência na categoria; especialistas comentam
A recente queda de um avião de pequeno porte na Barra Funda (SP) nesta sexta-feira (7) evidencia um problema recorrente no setor. Dados recentes do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) revelam que essa categoria representa a maior parte das ocorrências registradas no país, tanto em número absoluto de acidentes quanto em casos fatais.
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No ano de 2024 foram 175 acidentes, sendo falhas e maus funcionamentos o maior motivo de incidentes. São Paulo acumula o maior número de ocorrências. Ainda de acordo com o levantamento do órgão, no ano passado foram registrados 44 acidentes aéreos com vítimas fatais no Brasil, o maior número desde 2016, quando ocorreram 45 casos.
O CENIPA conduz investigações dessas ocorrências com o objetivo exclusivo de prevenir novos acidentes, sem apontar culpados ou atribuir responsabilidades jurídicas. Seguindo padrões internacionais da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI), o órgão identifica fatores contribuintes para os acidentes, como falha humana, condições meteorológicas adversas e questões de manutenção, sem eleger uma única causa preponderante. As recomendações resultantes dessas análises visam reforçar a segurança operacional na aviação brasileira.
Os gráficos analisados mostram que, nos últimos anos, a aviação geral – que inclui aviões particulares, táxis aéreos e aeronaves agrícolas – concentra a maior parte dos incidentes. Enquanto a aviação comercial apresenta índices reduzidos de acidentes, a operação de aeronaves menores se destaca pelos altos números.
Os acidentes fatais são mais comuns em aviões de uso privado e táxis aéreos, com índices superiores aos de outras categorias.
POR QUE OCORREM?
Em seu portal oficial, o CENIPA aponta que fatores como manutenção inadequada, falha humana e condições meteorológicas adversas podem estar entre as principais causas.
Segundo relatório do CENIPA, falhas no motor foram responsáveis por 19% dos acidentes com voos particulares, enquanto 17% ocorreram devido à perda de controle em voo e 12% por falta de controle em solo. Juntas, essas três causas correspondem a quase metade das ocorrências envolvendo esse tipo de aeronave.
O órgão segue monitorando as ocorrências e desenvolvendo recomendações para minimizar riscos na aviação brasileira.
QUEDA NA BARRA FUNDA
Na manhã desta sexta-feira (7), um avião de pequeno porte caiu e explodiu na Avenida Marquês de São Vicente, na zona oeste de São Paulo, próximo à Marginal Tietê e ao Allianz Parque. A aeronave era pilotada por Gustavo Medeiros e tinha como passageiro o empresário e advogado gaúcho Márcio Louzada Carpena, ambos faleceram no acidente. Além das duas vítimas fatais, seis pessoas que estavam nas proximidades ficaram feridas, incluindo um motociclista atingido por destroços e uma passageira de um ônibus envolvido na colisão.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que a aeronave perdeu altitude e tentou um pouso de emergência na avenida, colidindo com a traseira de um ônibus antes de explodir. Equipes de resgate foram acionadas rapidamente para conter o incêndio e socorrer os feridos.
As autoridades estão investigando as causas do acidente, enquanto especialistas consideram hipóteses como falhas mecânicas ou erros operacionais. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) conduzirá a investigação para identificar os fatores contribuintes e emitir recomendações visando à prevenção de futuros acidentes.