Bolsonaro terá que usar tornozeleira eletrônica e está vetado de redes sociais
Por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal cumpriu nesta sexta-feira (18) mandados de busca e apreensão contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, inclui uma série de medidas cautelares, entre elas o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica.
A ação é parte de um inquérito que tramita sob sigilo no STF e foi aberto na última sexta-feira (11). A investigação apura possíveis crimes de coação no curso do processo, obstrução de Justiça e ataque à soberania nacional. A ofensiva ocorre poucos dias após o anúncio de um tarifaço pelos Estados Unidos e a divulgação de um vídeo de apoio de Donald Trump a Bolsonaro.
O que motivou as restrições?
De acordo com a decisão judicial, além da tornozeleira, Bolsonaro está proibido de sair de casa entre 19h e 7h, inclusive aos fins de semana, e de manter contato com embaixadores, diplomatas e outros investigados. A medida, segundo fontes, inclui o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, que reside atualmente nos Estados Unidos.
Os mandados foram executados na residência do ex-presidente, em Brasília, e também na sede do Partido Liberal, legenda à qual é filiado. Durante a ação, agentes da PF apreenderam o celular de Bolsonaro, US$ 14 mil em espécie (equivalente a R$ 77,7 mil na cotação atual) e um pen drive escondido em um banheiro. O material será analisado por peritos da polícia científica.
Em nota, os advogados do ex-presidente afirmaram: "A defesa do ex-Presidente Jair Bolsonaro recebeu com surpresa e indignação a imposição de medidas cautelares severas contra ele, que até o presente momento sempre cumpriu com todas as determinações do Poder Judiciário". A equipe jurídica informou ainda que só irá se pronunciar oficialmente após ter acesso à decisão judicial.
Reações nas redes sociais
Filhos de Bolsonaro reagiram à operação com críticas ao ministro do STF. O senador Flávio Bolsonaro publicou uma mensagem de apoio ao pai, acompanhada de uma foto: "Fica firme, pai, não vão nos calar! A proposital humilhação deixará cicatrizes nas nossas almas, mas servirão de motivação para continuarmos lutando pelo nosso Brasil livre de déspotas". E completou: "Proibir o pai de falar com o próprio filho é o maior símbolo do ódio que tomou conta de Alexandre de Moraes para tomar medidas totalmente desnecessárias e covardes".
Eduardo Bolsonaro, em publicação feita em inglês, disse que Moraes "dobrou a aposta" após a divulgação do vídeo entre Bolsonaro e Trump, e detalhou as restrições impostas ao ex-presidente.
A operação foi acompanhada de movimentações políticas nas redes sociais, onde aliados e opositores comentaram os desdobramentos do caso, enquanto o STF mantém a apuração sob sigilo.