1 evento ao vivo

Bolsonaro falou com Bush sobre eleição na Argentina

Segundo presidente, se Cristina Kirchner vencer disputa, seria 'gol contra'e do País vizinho

15 mai 2019
20h10
atualizado às 20h51
  • separator
  • 34
  • comentários

O presidente Jair Bolsonaro conversou com o ex-presidente americano George W. Bush, em Dallas, sobre preocupações com a candidatura de Cristina Kirchner na Argentina. Segundo fontes presentes no encontro, os dois também falaram de parcerias no setor de óleo e gás, formas de atrair investimentos de infraestrutura ao Brasil e como o País pode se beneficiar da guerra comercial entre China e Estados Unidos.

Ao sair da reunião, Bolsonaro afirmou que a reunião foi "bastante cordial" e que o americano deu "sinalizações muito grandes de que tem uma grande simpatia e respeito pelo Brasil".

O presidente Jair Bolsonaro encontrou com ex-presidente americano George W. Bush, em Dallas
O presidente Jair Bolsonaro encontrou com ex-presidente americano George W. Bush, em Dallas
Foto: INSTAGRAM / JAIR BOLSONARO / Estadão

Segundo ele, Bush sinalizou que Bolsonaro pode achar no Texas investidores e empresários interessados no Brasil, pois estão ligados a uma agenda moral defendida pelo presidente brasileiro. O Texas é um Estado de maioria conservadora e republicana - partido de Bush e do presidente Donald Trump.

Por isso, o time de Bolsonaro vê como um acerto a decisão de viajar ao Texas depois do cancelamento da viagem a Nova York. Bolsonaro receberia o prêmio de personalidade do ano em NY, em evento organizado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos com investidores. Depois de críticas do prefeito local e boicotes, o brasileiro desistiu de ir a Nova York.

Bush estava acompanhado do seu chefe de gabinete. Na chegada, o ex-embaixador do Brasil nos EUA Cliff Sobel fez a recepção da comitiva brasileira. Sobel foi um dos responsáveis pela articulação do encontro entre Bolsonaro e Bush.

O presidente do Brasil foi ao encontro a pé do hotel em que está hospedado até o escritório político de Bush, em um trajeto de cerca de 300 metros. Ele foi acompanhado dos ministros Augusto Heleno, Ernesto Araújo e Paulo Guedes, além do assessor de assuntos internacionais do Planalto, Filipe Martins. Durante cerca de uma hora, o grupo ficou no escritório do ex-presidente. Depois de uma conversa em conjunto com o grupo, Bolsonaro e Bush tiveram cerca de 10 minutos de conversa reservada, acompanhados por Martins, que fez as traduções.

Ao falar por cerca de quatro minutos com jornalistas, Bolsonaro não detalhou o tema do encontro, mas citou a questão da eleição na Argentina. Segundo ele, "pelo semblante", Bush demonstrou concordância com o que ele falou. Segundo o presidente, os dois falaram sobre a crise na Venezuela, mas rapidamente o brasileiro passou a tratar da eleição argentina. "Mais importante do que fazer um gol é evitar outro e esse gol contra seria a argentina voltando para as mãos da Kirchner", disse Bolsonaro.

O presidente brasileiro disse que a eleição de Kirchner geraria "uma nova Venezuela no Sul da América do Sul". "Gostaríamos que a Argentina não retrocedesse nessa questão ideológica."

Bush e Trump.

"Logicamente, é tradição dos ex-presidentes não se envolver na política atual, nem criticar ou elogiar o presidente de momento. Mas o que ele nos falou mostra uma democracia bastante amadurecida aqui", afirmou Bolsonaro, sinalizando que Bush não tratou do alinhamento entre o atual governo brasileiro e a gestão do atual presidente Donald Trump. Apesar de ser do mesmo partido de Trump, Bush é um crítico no partido republicano do presidente atual.

Aos jornalistas, Bolsonaro disse que o proveito que o Brasil pode tirar da guerra comercial entre chineses e americanos vem de forma "natural". O presidente também afirmou que o vice, Hamilton Mourão, tem "toda a liberdade" de tratar de assuntos de política externa na viagem à China. "Nós confiamos na tratativa dele, assim como a senhora ministra da Agricultura se encontra na China neste momento tratando de vários assuntos e coincidentemente temos um pequeno problema econômico Estados Unidos - China", disse Bolsonaro.

Nesta noite, o presidente brasileiro participa de um jantar privado com empresários. A visita a Dallas, disse o presidente, tem o intuito de "demonstrar o profundo respeito e interesse" entre os dois países e se aproximar dos EUA na área econômica e de direitos humanos.

Manifestações no Brasil e "militantes"

Assim como já havia feito pela manhã, o presidente repetiu que "grande parte" dos que fazem manifestações contra cortes nas verbas para a educação são "militantes". "O que eu entendo é que grande parte dos que estão lá são militantes. As provas do PISA, que tem a ver com ensino fundamental, mostram a nossa decadência desde os anos 2000, quando começou esse tipo de prova. O que nós queremos é resgatar a educação. Queremos que a garotada, não só no ensino fundamental, o ensino médio em especial, já tenha um curso técnico. E quem puder fazer o ensino superior que tenha um diploma onde realmente esteja apto a exercer aquela profissão", afirmou Bolsonaro.

Mais cedo, o presidente disse que manifestantes eram "idiotas úteis" e "massa de manobra". Ele afirmou que está acompanhando os desdobramentos das manifestações através de informações passadas por Heleno e pela internet.

Estadão
  • separator
  • 34
  • comentários
publicidade