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Bolsonaro lança Flávio como seu porta-voz e tenta estancar crise entre o filho e Michelle Bolsonaro

Entenda o conteúdo do manifesto que nomeia o novo porta-voz do clã e como a guerra interna com Michelle Bolsonaro divide o partido

11 jul 2026 - 20h10
(atualizado às 20h12)
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Em um movimento estratégico para conter a crise interna no PL e unificar a militância, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou, neste sábado (11), uma carta assinada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro que o formaliza como o pré-candidato oficial do grupo à Presidência da República nas eleições. No documento, lido durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, o ex-mandatário também nomeia o filho mais velho como seu "porta-voz" institucional.

Michelle e Flávio Bolsonaro
Michelle e Flávio Bolsonaro
Foto: Reprodução / Perfil Brasil

Intitulado "Carta aos Brasileiros", o manifesto faz um apelo direto à pacificação das alas partidárias. "O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro", diz um trecho do texto, datado da capital federal. Atualmente, o ex-presidente cumpre pena em regime de prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado decorrente dos episódios de 2022.

Durante a transmissão, Flávio Bolsonaro revelou ter se reunido por cerca de duas horas com o pai antes de receber o manifesto. O parlamentar destacou que a oficialização do seu nome como interlocutor principal da campanha visa mitigar ruídos de comunicação nos bastidores. "Isso é muito importante para evitar que existam falas conflituosas e direções diferentes que porventura alguém possa estar seguindo paralelo à nossa campanha", afirmou o senador, convocando influenciadores e lideranças regionais a retomarem o engajamento digital.

O endosso público ocorre em um momento de fragilidade na pré-campanha de Flávio, tensionada por embates públicos com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e pelo desgaste político envolvendo investigações sobre o Banco Master. A crise familiar se intensificou no fim de junho, quando Michelle acusou o enteado de tê-la humilhado em uma ligação telefônica motivada por divergências sobre alianças partidárias no Ceará. Dias depois, ela compartilhou publicações que associavam o senador a eventos patrocinados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro — o que Flávio rebateu publicamente, alegando que sua única relação com o empresário limitou-se à captação de recursos para o filme biográfico Dark Horse, sobre a trajetória do pai.

O ápice do desentendimento resultou no afastamento de Michelle da presidência do PL Mulher na última semana. Diante do racha na principal legenda de oposição, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, admitiu a falta de diálogo entre os familiares e estabeleceu um comitê interno para tentar pacificar a sigla antes da convenção nacional do partido, agendada para o próximo dia 25 de julho. Interlocutores da legenda avaliam com reserva o impacto do conflito no eleitorado feminino e evangélico, nichos em que a ex-primeira-dama detém expressivo capital político.

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