Arroz e feijão são aliados contra obesidade que já afeta um em cada quatro brasileiros
Dados do Vigitel 2024 mostram que 62,6% dos adultos estão acima do peso enquanto consumo de ultraprocessados eleva risco de morte prematura
O monitoramento da saúde pública no Brasil, realizado por meio do sistema Vigitel 2024 e divulgado pelo Ministério da Saúde em dezembro de 2025, aponta que 62,6% dos adultos brasileiros possuem excesso de peso. Dentro deste grupo, a obesidade atinge 25,7% da população. O cenário epidemiológico é acompanhado pelo crescimento de diagnósticos de doenças metabólicas, como o diabetes tipo 2 e a hipertensão arterial.
Pesquisas conduzidas pela Universidade de São Paulo (USP) e publicadas na revista The Lancet demonstram que os alimentos ultraprocessados compõem 23% das calorias diárias consumidas no país. A substituição de refeições naturais por itens industrializados altera mecanismos hormonais de saciedade e o metabolismo. Conforme dados da USP e da Fiocruz, a elevação de 10% no consumo desses produtos está correlacionada ao aumento de 3% no risco de mortalidade prematura.
Para a endocrinologista e metabologista PhD pela USP, Dra. Elaine Dias JK, o impacto vai além do peso corporal para os brasileiros. Segundo a médica, resgatar hábitos alimentares simples é o método mais eficaz. "Um prato de arroz e feijão, ovos, frutas, verduras e legumes promovem uma nutrição completa e são acessíveis", destaca a especialista.
A combinação de arroz e feijão, um clássico para os brasileiros, é citada como fonte de nutrientes com as seguintes propriedades:
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Aminoácidos: O arroz fornece metionina, enquanto o feijão disponibiliza lisina, resultando em uma proteína de valor biológico.
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Fibras: O feijão contém fibras solúveis e insolúveis, que atuam no controle da glicemia e no funcionamento intestinal.
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Custo e Aditivos: A combinação apresenta valor de mercado inferior a produtos industrializados e é isenta de corantes e conservantes.
Para estruturar uma rotina que favoreça a saúde, a médica estabelece quatro fundamentos:
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Ambiente saudável: Manter opções nutritivas disponíveis para reduzir o consumo por impulso.
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Riqueza em fibras: Utilizar alimentos que regulam os níveis de açúcar no sangue.
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Simplicidade: Priorizar alimentos in natura. A frase "descascar mais e abrir menos", citada pela Dra. Elaine, reflete a escolha por itens nutricionais básicos.
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Hidratação: Consumo de água em substituição a bebidas processadas.
A Dra. Elaine Dias JK ressalta que, embora a oferta de ultraprocessados seja ampla para brasileiros pela praticidade e preço, eles promovem falsa saciedade. "O retorno ao básico é o caminho mais eficaz para uma vida saudável e longevidade. Podemos consumir outras opções de vez em quando, mas o equilíbrio faz toda a diferença", conclui.