Arezzo&Co e Grupo Soma: quais efeitos da fusão para a nova empresa e clientes
A maior vantagem para a empresa será a ampliação do portfólio, abrangendo desde o cliente de renda média até o de alta renda
A Arezzo e o Grupo Soma anunciaram, nesta segunda-feira (5), uma fusão que criará uma gigante empresa do varejo nacional. A transação unirá mais de 30 marcas de roupas, calçados e acessórios, resultando em um faturamento conjunto estimado em R$ 12 bilhões.
Com mais de 2 mil lojas físicas próprias e cerca de 22 mil funcionários, além das franquias, a nova empresa se destacará como o principal nome do mercado de moda premium no Brasil, conforme ressaltam especialistas ouvidos pelo G1.
Apesar disso, eles afirmam que a fusão terá poucos efeitos diretos sobre o consumidor final. Analistas descartam a possibilidade de mudanças nos preços dos produtos oferecidos pelas diferentes marcas e não veem a concentração do megagrupo como prejudicial para a concorrência justa, considerando que a receita anual do mercado de moda brasileiro ultrapassa os R$ 200 bilhões.
Marilia Carvalhinha, coordenadora da pós-graduação em Negócios da Moda da FAAP, destaca que, com um faturamento estimado de R$ 12 bilhões, o novo grupo representaria cerca de 6% do mercado de moda brasileiro, um percentual semelhante a grandes nomes do setor como as Lojas Renner.
Especialistas consultados pelo G1 afirmam que não há preocupação com a possibilidade de a nova empresa influenciar os preços do mercado. A expectativa é que a fusão busque sinergias e eleve os lucros, sem necessariamente reduzir os preços.
Andreia Meneguete, especialista em branding e professora da ESPM, explica que a companhia buscará abranger todos os segmentos da moda dentro de seu público-alvo principal, utilizando a expertise individual de cada marca para beneficiar o negócio como um todo: "Se uma das marcas de vestuário do grupo percebe uma tendência de mercado específica, esse insight pode ser compartilhado com todo o grupo, e a empresa consegue mudar de direção muito mais rápido", explica.
A identidade no mercado
A maior vantagem para a empresa será a ampliação do portfólio, abrangendo desde o cliente de renda média até o de alta renda. Contudo, o grande desafio será conciliar as culturas organizacionais dos dois grupos e encontrar sinergias entre as marcas sem desorganizar o que já está funcionando.
Segundo Andreia Meneguete, especialista em branding, as empresas que compõem cada grupo já delinearam bem suas estruturas, direcionando-se para diferentes públicos. Neles, já existe distinção e certa flexibilidade entre as faixas de renda. Por exemplo, a Hering e a AnaCapri focam na classe média, enquanto a Schutz e a Animale são mais voltadas para clientes de ticket mais alto.
Ela destaca a importância de cada marca do megagrupo manter sua autonomia de liderança para preservar seus públicos. Exceto se, na fusão, houver alguma mudança de estratégia para direcionar-se a uma nova clientela.
Entretanto, a empresa enfrenta o desafio de conciliar as diversas visões e formas de trabalhar, um processo que pode levar anos. No mercado da moda e lifestyle, a LVMH é um exemplo de integração de várias marcas, unificando seus processos enquanto mantém a identidade de cada uma no mercado de luxo.
No Brasil, citam a Arezzo como um exemplo de sucesso, após adquirir a marca de roupas masculinas Reserva. Agora, a expectativa é manter o padrão para uma fusão maior, entre Arezzo e Soma.
No entanto, há exemplos em que as fusões não atingem o esperado. Quando o Itaú Unibanco comprou quase metade da XP Investimentos, visava inovação e atração de um novo perfil de clientes. No entanto, no ano passado, o banco encerrou a venda total de sua participação na antiga corretora. Apesar do investimento rentável, aconteceu sem que uma união entre as empresas ocorresse como previsto.