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Arábia Saudita bombardeia Iêmen enquanto houthis consolidam avanços em novo teatro de operações

16 set 2026 - 07h10
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Resumo
A Arábia Saudita bombardeou o Iêmen após rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, avançarem sobre o Mar Vermelho e atacarem o reino, ameaçando Meca e danificando um oleoduto crucial. A escalada reacende a guerra civil, desafia os Estados Unidos quanto ao apoio militar direto a Riade e agrava a crise energética global, impulsionando os preços dos combustíveis em meio a bloqueios no fornecimento do petróleo.

Aviões de guerra sauditas bombardearam o Iêmen, informaram os houthis nesta quarta-feira, enquanto os ‌combatentes apoiados pelo Irã consolidavam seus ganhos após um avanço relâmpago que ampliou a influência de Teerã na guerra do Oriente Médio e impactou ainda mais o abastecimento global de petróleo.

Em um sinal do agravamento do conflito em um novo teatro de operações, os Estados Unidos reforçaram seu alerta de viagem para a Arábia Saudita, proibindo funcionários do governo de viajarem a menos de 20 milhas da fronteira com o Iêmen.

Os houthis, que desde a semana passada varreram cidades iemenitas ⁠ao longo da costa do Mar Vermelho e tomaram ilhas no estreito de Bab el-Mandeb, em sua foz, divulgaram durante a ‌madrugada um vídeo do campo de batalha mostrando combatentes apreendendo veículos blindados das forças apoiadas pela Arábia Saudita. Aviões de combate sobrevoavam a área e enormes explosões se erguiam no céu a partir das dunas do deserto.

O porta-voz militar houthi, ‌Yahya Saree, afirmou que os houthis haviam abatido um caça F-15 saudita. Nenhuma ‌evidência imediata foi apresentada e autoridades sauditas não responderam de imediato aos emails solicitando comentários.

Saree afirmou que os ⁠sauditas realizaram até 450 ataques aéreos no Iêmen nesta semana. Autoridades do governo apoiado pela Arábia Saudita, que controla o sul do Iêmen, reconheceram que suas forças e as da Arábia Saudita estavam realizando ataques aéreos contra posições houthis, embora a própria Riade não tenha confirmado esses ataques.

Os houthis dispararam repetidamente contra a Arábia Saudita na última semana, causando alarme em cidades do sul e do oeste. Um ataque atribuído a combatentes alinhados ao Irã no Iraque, na semana passada, também ‌danificou o Oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, a principal rota usada para desviar as exportações do Estreito de Ormuz, que está ‌bloqueado.

Riade afirmou que suas defesas aéreas abateram ⁠um drone houthi ao sul ⁠de Meca na terça-feira, antes que ele entrasse no espaço aéreo proibido sobre a cidade sagrada — um ataque que, segundo a Arábia ⁠Saudita, ultrapassou uma "linha vermelha" ao ameaçar santuários sagrados para todos os muçulmanos. ‌O porta-voz houthi, Saree, negou que o ‌grupo tivesse a Meca como alvo e afirmou que os relatos sauditas eram uma armação com fins propagandísticos.

PERIGO DE AGRAVAMENTO DA ESCASSEZ GLOBAL DE ABASTECIMENTO DE ENERGIA

A extensão da guerra ao Iêmen ameaça agravar a escassez global de energia causada pela guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, que já dura seis meses e interrompeu ⁠o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz.

O preço do petróleo Brent oscilava em torno de US$108 por barril nesta quarta-feira , próximo ao seu nível mais alto desde maio. O preço médio de varejo do diesel nos Estados Unidos atingiu mais uma vez um recorde histórico, ultrapassando US$6,30 por galão pela primeira vez.

Operadores do mercado afirmam que um fechamento prolongado do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita poderia reduzir em até 4% ‌o abastecimento global de petróleo. A Arábia Saudita não informou quando as operações poderão ser retomadas, mas o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse à CNBC na terça-feira que o petróleo bruto deve voltar a fluir pelo ⁠oleoduto nos próximos dias.

A Arábia Saudita lidera uma coalizão que combate os houthis desde 2015. O conflito havia se acalmado em grande parte sob um cessar-fogo nos últimos anos, mas reacendeu quando os houthis declararam um bloqueio naval contra a Arábia Saudita em julho e dispararam contra áreas do sul do reino. A violência se intensificou drasticamente neste mês, quando o grupo militante repeliu forças alinhadas ao governo iemenita internacionalmente reconhecido e apoiado pela Arábia Saudita.

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, ligou para o presidente dos EUA, Donald Trump, na semana passada, buscando apoio militar, que até o momento se limitou à ajuda em inteligência.

Os Estados Unidos bombardearam os houthis por dois meses em 2025, mas interromperam essa campanha após chegarem ao que o presidente Donald Trump descreveu como um cessar-fogo com o grupo.

Trump agora enfrenta o dilema de ficar de braços cruzados e correr o risco de que o avanço dos houthis agrave a crise energética global, ou fornecer apoio militar mais direto aos sauditas e correr o risco de estender a dispendiosa intervenção dos EUA para outro teatro de operações.

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