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Governo não vai barrar propagandas em sites de fake news

Secretaria Especial de Comunicação afirmou que o governo não pretende mudar critérios de distribuição de recursos públicos com a publicidade oficial

3 jun 2020 21h17
| atualizado às 21h28
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Após um relatório da CPI das Fake News identificar publicidade do governo em sites de conteúdo impróprio, incluindo páginas que disseminam fake news, a Secretaria Especial de Comunicação (Secom) afirmou que o governo não pretende mudar critérios de distribuição de recursos públicos com a publicidade oficial e que não fará censura.

Em entrevista no Palácio do Planalto nesta quarta-feira, 3, o secretário especial de Comunicação, Fábio Wajngarten, disse que "não há favorecimento de A, B ou Z" na escolha de quem recebe os recursos. O secretário de Publicidade, Glen Valente, disse que cabe ao Google e à agência de publicidade contratada pelo governo definirem os locais de veiculação da publicidade. "A Secom não vai definir o que é site de fake news ou não, não vamos fazer censura", disse Valente, que concedeu entrevista ao lado de Wajngarten.

Fábio Wajngarten secretário de Comunicação Social (Secom)
Fábio Wajngarten secretário de Comunicação Social (Secom)
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Estadão Conteúdo

Relatório produzido pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Fake News mostrou que o governo federal investiu dinheiro público para veicular 2.065.479 de anúncios publicitários em canais que apresentam "conteúdo inadequado", entre junho e julho de 2019.

Desse total de impressões de anúncios, mais de 653 mil anúncios foram feitas em sites de notícias falsas, segundo o relatório elaborado por consultores legislativos do Senado. O relatório da CPI aponta como um dos campeões de veiculação de anúncios oficiais, com 66.431 impressões, o "Sempre Questione". "O portal traz 'matérias' sobre múmias alienígenas escondidas em pirâmides do Egito, colisores de átomos que abrem portais para o inferno e baleias encontradas em fazendas a centenas de quilômetros do litoral", aponta o levantamento da comissão.

A lista de 2 milhões de anúncios - a maioria ligada à reforma da Previdência - inclui páginas que promovem jogos de azar e até sites pornográficos. Canais que promovem o presidente Jair Bolsonaro também receberam publicidade oficial.

Os dados foram obtidos via Lei de Acesso à Informação pela CPI e revelados pelo jornal O Globo. O Estadão também teve acesso ao relatório.

Os secretários disseram, na coletiva, que os anúncios citados no relatório da CPI são veiculados por critérios técnicos adotados pelo Google Adsense. Na ferramenta da empresa de internet, no entanto, é possível adicionar filtros que bloqueiam a veiculação em sites determinados.

Em nota, o Google afirma que as suas plataformas "oferecem controles robustos que permitem o bloqueio de categorias de assuntos e sites específicos, além de gerarem relatórios em tempo real sobre onde os anúncios foram exibidos".

Na entrevista, Valente, disse que "existe, sim, uma seleção onde a gente exige da agência e do Google que sites impróprios não tenham publicidade do governo". Em um slide, listou o tipo de conteúdo que deve ser excluído por ser impróprio: linguagem obscena, nudez, conteúdo sexual, terrorismo e consumo ou venda de drogas. Desinformação e notícias falsas não estava na lista.

"Se tiver algum site impróprio e isso em um processo recorrente da Secom, isso já está sendo avaliado. Agora a gente não faz definição, critério de censura, não vamos fazer. Se o conteúdo é impróprio pedimos ressarcimento", disse Valente. "A definição do que é impróprio ou não, a gente não vai fazer", repetiu.

Wajngartein disse ainda que "a Secom preza a tecnicidade e a economicidade". "Todos erros que forem detectados na Secom, a Secom vai no Google pedir ou ressarcimento ou vai pedir a equiparação futura em uma campanha futura", disse.

O secretário de Comunicação também afirmou que o número de 2 milhões de impressões representa apenas 0,5% das cerca de 400 milhões feitas no período de análise do relatório da CPI.

"O total de anúncios servidos ou seja entregues para a campanha da nova previdência foi de aproximadamente 400 milhões. Em se confirmando esse número de 2 milhões nós estamos falando em uma assertividade de 99,5% na comunicação da Secom", disse o secretário de Comunicação.

Segundo Valente, considerando o custo médio de um anúncio, seria possível concluir que 2 milhões de impressões teriam o custo total de R$ 10 mil, em uma campanha de R$ 72 milhões.

Estadão
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