Alerta dos pais: preocupação com privacidade afasta crianças do celular
Dados do IBGE revelam um recuo inédito no uso de smartphones entre menores de 10 a 13 anos, enquanto o acesso digital dispara na terceira idade
Estudo divulgado nesta quinta-feira (02) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o módulo de tecnologia da Pnad Contínua revelou algo histórico. Pela primeira vez desde o início da série histórica, a proporção de crianças de 10 a 13 anos que possuem celular próprio registrou queda no país, atingindo o patamar de 55,2% nessa faixa etária.
Celular e crianças
A redução de 1,5 ponto percentual na comparação com o ano anterior interrompe uma tendência de alta que vinha se consolidando no mercado nacional. Os analistas do órgão governamental identificaram que o principal motivo para os responsáveis evitarem a compra do eletrônico mudou drasticamente. Atualmente, a preocupação com a privacidade e a segurança dos menores lidera as justificativas dos pais, somando 32% das respostas e superando barreiras financeiras.
Além disso, esse cenário reflete um amadurecimento no debate público sobre os impactos das telas no desenvolvimento infanto-juvenil. No passado recente, o preço elevado dos dispositivos e a falta de necessidade imediata eram os fatores mais citados pelos entrevistados do IBGE. O analista da instituição, Gustavo Fontes, ressalta que as restrições ao uso desses aparelhos dentro dos ambientes escolares também ajudaram a desestimular a posse individual do eletrônico.
"A gente tem visto cada vez mais uma preocupação com a segurança das crianças, com a exposição delas nas redes sociais, por exemplo. A gente teve também em 2025 uma restrição ao uso de celulares nas escolas", avalia Fontes.
A estabilidade adolescente e o contraste com os idosos
Contudo, o fenômeno de retração no universo tecnológico ficou estritamente restrito ao grupo que engloba o início da adolescência. Nas demais faixas geracionais acompanhadas pelo monitoramento público, a curva de conectividade manteve a sua trajetória de expansão acelerada. Entre a população geral, a taxa de pessoas que utilizam o smartphone alcançou a marca expressiva de 89,8%, demonstrando o alto nível de digitalização do cotidiano nacional.
Da mesma forma, o levantamento trouxe dados robustos a respeito do uso de celular na terceira idade. O público com mais de 60 anos apresentou um avanço notável, com 74,5% desse grupo acessando a internet de forma regular, um salto expressivo quando comparado aos patamares de anos anteriores. No caso dos idosos desconectados, a principal barreira apontada não tem relação com segurança, mas sim com a dificuldade técnica em manusear os sistemas e telas.
A necessidade de acompanhar a modernização dos serviços essenciais serve como o grande motor para empurrar os cidadãos mais velhos para a rede mundial de computadores. A digitalização de serviços bancários e o acesso a plataformas de atendimento do governo exigem que esse público busque aprender a lidar com as novas ferramentas de comunicação.
As atividades preferidas e a explosão do e-commerce
Por outro lado, o relatório detalhado do IBGE mapeou quais são as funcionalidades que mais atraem o interesse do usuário brasileiro quando ele está conectado. O hábito de realizar chamadas de voz ou de vídeo por meio de aplicativos lidera o ranking nacional com folga, sendo mencionado por quase a totalidade das pessoas ouvidas. Logo em seguida, o envio de mensagens de texto ou mídia e o consumo de produções audiovisuais aparecem como as principais utilidades da internet.
De acordo com as estatísticas consolidadas no relatório setorial, o comércio eletrônico também atingiu uma marca histórica para a economia digital do país. Pela primeira vez, mais da metade dos usuários que acessam a internet declararam fazer compras ou encomendar produtos de maneira virtual. Esse movimento de expansão do e-commerce gerou um salto importante de participação no mercado consumidor em relação aos períodos passados.
Inércia ou prudência parental, o fato é que o estudo joga luz sobre as novas fronteiras da segurança familiar e da inclusão social no país. Em suma, os dados coletados servem de base para que governos e empresas planejem novas diretrizes de conectividade e proteção para os próximos anos. Resta agora acompanhar se o recuo no uso infantil vai se consolidar como uma tendência duradoura ou se foi um ajuste pontual do mercado.
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