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Alemanha prende dois suspeitos de espionar para a China

20 mai 2026 - 17h55
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Casal, que vive em Munique, teria tentado obter e repassar informações sobre tecnologias de ponta com "aplicações militares".A Procuradoria-Geral da Alemanha anunciou a prisão, nesta quarta-feira (20/05), de dois moradores de Munique suspeitos de espionar para a China.

Casal foi acusado de atrair especialistas sob falsos pretextos para a China
Casal foi acusado de atrair especialistas sob falsos pretextos para a China
Foto: DW / Deutsche Welle

Os suspeitos foram identificados como Xuejun C. e Hua S., e têm cidadania alemã. Os promotores acreditam que o casal atuasse para um serviço de inteligência chinês.

"Com o objetivo de obter acesso a informações científicas sobre tecnologias de ponta com aplicações militares, eles estabeleceram contatos com numerosos cientistas em universidades e institutos de pesquisa alemães", escreveram os promotores.

O casal também teria buscado contatos com "professores universitários nas áreas de aeronáutica e viagens espaciais, TI e inteligência artificial".

Para não levantar suspeitas, os dois teriam se passado por tradutores e funcionários de um fornecedor alemão de autopeças, entre outras funções.

"Alguns cientistas foram atraídos para a China sob o pretexto de ministrar palestras para públicos civis mediante remuneração", alegaram os promotores. "Na realidade, essas apresentações ocorreram diante de representantes de empresas estatais de armamentos."

De acordo com o jornal Handelsblatt, Xuejun C. tem 55 anos e é presidente da Associação Alemã-Chinesa para Tecnologia, Educação e Intercâmbio Cultural, com sede em Munique.

Acredita-se que ele tenha laços estreitos com uma universidade chinesa que colabora com instituições de pesquisa alemãs e que também mantém vínculos com a pesquisa e a indústria de defesa da China, informou o diário.

Casal está em prisão preventiva

O casal foi levado nesta quarta ao Tribunal Federal de Justiça, em Karlsruhe, que decidiu pela manutenção da prisão preventiva.

As residências e os locais de trabalho dos suspeitos em Munique foram revistados.

Outras operações relacionadas às prisões também ocorreram nos estados da Baviera, Baden-Württemberg, Berlim, Brandemburgo, Baixa Saxônia e Renânia do Norte-Vestfália. Essas ações tiveram como objetivo estabelecer contato com testemunhas que não são suspeitas de atividade criminosa.

Espionagem em alta

A Alemanha tem registrado recentemente diversos casos suspeitos de espionagem ligados à China.

Em fevereiro, um cidadão dos Estados Unidos foi condenado à prisão por um tribunal na cidade de Koblenz, no oeste do país, por oferecer à China informações sensíveis enquanto trabalhava como contratado civil em uma base militar americana.

Em setembro de 2025, um ex-assessor do deputado Maximilian Krah, do partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), foi condenado a mais de quatro anos de prisão, depois que um tribunal o considerou culpado de atuar como agente de um serviço de inteligência chinês enquanto trabalhava para Krah, à época do membro do Parlamento Europeu.

Promotores também abriram uma investigação contra o próprio Krah, suspeito de receber dinheiro da Rússia e da China, o que ele nega.

No início desta semana, o deputado do Partido Verde alemão Konstantin von Notz, vice-presidente da comissão de controle dos serviços de inteligência, alertou para uma ameaça crescente vinda da China.

"Estamos subestimando de forma massiva a energia e a agressividade com que a China está agindo contra o Ocidente, inclusive contra a Europa e a Alemanha", disse ele em um podcast do site Politico.

Ao apontar os laços da China com a Rússia, ele acrescentou que "autocratas têm um interesse comum em forjar alianças e permanecer unidos contra seu suposto inimigo".

Especialista em segurança da União Democrata Cristã (CDU), Roderich Kiesewetter disse ao Handelsblatt que teme que o caso mais recente de espionagem "seja apenas a ponta do iceberg, porque a China está agindo de forma muito deliberada, com uma perspectiva de longo prazo, e usando uma ampla rede de soft power".

ra (AFP, dpa)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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