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Analistas temem interferência na Petrobras mas há esperança na blindagem a preços

24 mai 2022 09h51
| atualizado às 10h54
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As ações da Petrobras despencavam nesta terça-feira depois que o presidente Jair Bolsonaro trocou novamente o CEO da estatal, a segunda mudança na liderança em dois meses, aumentando preocupações de analistas sobre interferência governamental na empresa, apesar de alguns ressaltarem uma blindagem legal para a política de preços.

José Mauro Ferreira Coelho é o terceiro CEO da Petrobras demitido por Bolsonaro em meio a um descontentamento do presidente com a política de preços dos combustíveis. Caio Mario Paes de Andrade, um alto funcionário do Ministério da Economia, foi indicado para substitui-lo.

A demissão veio após a empresa ter se recusado a vender combustíveis com desconto aos consumidores, alertando que isso levaria à escassez de diesel, segundo apurou a Reuters.

"Os investidores provavelmente verão a mudança como uma intervenção direta relacionada ao preço do combustível no Brasil", disse o JPMorgan, em nota ao mercado, lembrando que Coelho havia repassado um aumento no preço do diesel em seus 40 dias de mandato.

Segundo o BTG Pactual, "embora a governança corporativa da Petrobras tenha evitado até agora interferências mais diretas, nós tememos que o verdadeiro teste ainda esteja por vir".

"Em última análise, achamos que o novo CEO enfrenta um difícil dilema: como preservar o próprio emprego seguindo as políticas da empresa e sem comprometer a disponibilidade de combustível do Brasil?", afirmou o BTG Pactual.

O banco destacou que é importante seguir os preços internos na paridade de importação "para manter um abastecimento saudável de combustível para o país, que depende de importações e cuja oferta é suficiente para atender a demanda".

Segundo a XP Investimentos, embora a notícia da mudança seja negativa, "pois tal rotatividade não é saudável para nenhuma empresa, não vemos isso como uma mudança na política de preços de combustíveis da Petrobras".

"Primeiro, porque ainda vemos a Lei das Estatais e o estatuto da Petrobras blindando a empresa de subsidiar combustíveis como no passado, independentemente de quem é o CEO. Em segundo lugar, o Sr. Caio é fortemente ligado a Paulo Guedes, que não é a favor de mudanças na política de preços de combustíveis da Petrobras".

A Genial Investimentos foi na mesma linha.

"O Sr. Caio Andrade é membro do Ministério da Economia. Sendo assim, achamos pouco provável que o mesmo venha a trazer propostas radicais para a empresa", disse, ponderando que a notícia deve aumentar a volatilidade no papel.

Os papéis preferenciais da Petrobras abriram em queda de mais de 4,5% na B3 nesta terça-feira, mas recuavam 2,8% por volta das 10h35.

Para o Citi, a mudança "cria risco em torno de continuidade" da estratégia de longo prazo da Petrobras, mas o banco também observou que a legislação corporativa do país pode proteger o investidor de eventuais interferências.

"Apesar de vermos a mudança como um sinal negativo, o Brasil ainda possui uma governança corporativa forte e leis que protegem o acionista minoritário contra possíveis intervenções externas", acrescentou.

O Citi lembrou que, após várias mudanças na alta administração da petroleira no governo Bolsonaro, a empresa manteve sua estratégia de: 1) desalavancagem de seu balanço; 2) alocação racional de capital; e 3) política de preços de combustíveis alinhada aos mercados internacionais.

"A nosso ver, esse tripé não só cria um ciclo virtuoso para a empresa, mas também mantém o abastecimento de combustíveis fluindo para o mercado interno (o Brasil é um país importador líquido de diesel/gasolina)", destacou.

As ações da Petrobras no pré-mercado da bolsa de Nova York deram indicações de registrar a pior sessão desde fevereiro de 2021, quando caíram 21% depois que o então CEO Roberto Castello Branco foi deposto.

Em Nova York, os papéis da estatal acumulam alta de 48% neste ano.

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