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18 de maio: 53 anos de um crime bárbaro até hoje sem punição

O dia 18 de maio traz à memória um dos crimes mais chocantes e emblemáticos da história do Brasil que até hoje não teve punição.

18 mai 2026 - 16h59
(atualizado às 17h03)
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O dia 18 de maio traz à memória um dos crimes mais chocantes e emblemáticos da história do Brasil. Exatos 53 anos após o desaparecimento e assassinato da menina Araceli Cabrera Crespo, de apenas 8 anos, o caso ganha um novo desdobramento: o Tribunal de Justiça do Espírito Santo decidiu entregar os autos originais do processo para análise de um órgão internacional ligado aos direitos humanos.

Araceli Cabrera Sánchez Crespo, de 8 anos, assassinada em 1973.
Araceli Cabrera Sánchez Crespo, de 8 anos, assassinada em 1973.
Foto: Reprodução / Portal de Prefeitura

A medida acontece justamente no Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, criado em memória da menina assassinada em Vitória, em 1973.

Segundo o TJ-ES, os documentos serão utilizados em uma ação apresentada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, vinculada à Organização dos Estados Americanos. O objetivo é buscar reconhecimento internacional e reparação histórica relacionada ao caso, que terminou sem condenações definitivas.

A entrega dos autos acontece em agenda reservada, seguindo regras da Lei de Acesso à Informação e da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Os participantes também assinam termos de confidencialidade.

O processo envolvendo Araceli se tornou símbolo nacional da luta contra a violência sexual infantil no Brasil justamente pela brutalidade do crime e pela ausência de punição até hoje.

O caso Araceli

Araceli desaparece em 18 de maio de 1973 após sair da escola, em Vitória. Dias depois, o corpo da criança é encontrado com sinais de violência sexual, mutilações e queimaduras.

As investigações provocam enorme repercussão nacional e apontam três homens ligados a famílias influentes do Espírito Santo como suspeitos do crime.

Ao longo do processo, denúncias de interferência política, pressão sobre testemunhas e contradições marcaram o caso.

Em 1980, dois dos acusados foram condenados a 18 anos de prisão e outro recebeu pena de cinco anos. Anos depois, porém, a sentença foi anulada pela Justiça após recursos da defesa.

O processo voltou à fase de análise e terminou com absolvição dos acusados por falta de provas. Em 1993, o caso prescreveu sem que ninguém fosse responsabilizado criminalmente.

Caso virou símbolo nacional

A repercussão do assassinato ultrapassou o Espírito Santo e se tornou uma das maiores referências nacionais no combate à violência sexual contra crianças.

Por causa do caso, o 18 de maio passou oficialmente a integrar o calendário nacional de conscientização e enfrentamento ao abuso infantil.

Neste ano, um dos momentos mais simbólicos da cerimônia promovida pela Justiça capixaba é a participação do irmão da vítima, Carlos Cabrera Crespo, que atualmente vive no Canadá e acompanha o caso há décadas.

Ao comentar o novo desdobramento, ele afirmou que o mais doloroso é perceber que crimes semelhantes continuam acontecendo mesmo após mais de meio século.

A expectativa das entidades envolvidas é que a análise internacional ajude a manter viva a memória do caso e fortaleça políticas públicas de proteção às crianças e adolescentes vítimas de violência sexual no Brasil.

Faça parar. Denuncie!

Casos de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes podem ser denunciados de forma anônima pelo Disque 100, canal nacional de proteção aos direitos humanos.

A ligação é gratuita e funciona 24 horas por dia, inclusive nos fins de semana e feriados. Em situações de emergência ou flagrante, a orientação é acionar imediatamente a polícia pelo telefone 190.

Especialistas reforçam que denunciar é fundamental para interromper ciclos de violência e proteger vítimas que, muitas vezes, não conseguem pedir ajuda sozinhas.

Portal de Prefeitura
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