18 de maio: 53 anos de um crime bárbaro até hoje sem punição
O dia 18 de maio traz à memória um dos crimes mais chocantes e emblemáticos da história do Brasil que até hoje não teve punição.
O dia 18 de maio traz à memória um dos crimes mais chocantes e emblemáticos da história do Brasil. Exatos 53 anos após o desaparecimento e assassinato da menina Araceli Cabrera Crespo, de apenas 8 anos, o caso ganha um novo desdobramento: o Tribunal de Justiça do Espírito Santo decidiu entregar os autos originais do processo para análise de um órgão internacional ligado aos direitos humanos.
A medida acontece justamente no Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, criado em memória da menina assassinada em Vitória, em 1973.
Segundo o TJ-ES, os documentos serão utilizados em uma ação apresentada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, vinculada à Organização dos Estados Americanos. O objetivo é buscar reconhecimento internacional e reparação histórica relacionada ao caso, que terminou sem condenações definitivas.
A entrega dos autos acontece em agenda reservada, seguindo regras da Lei de Acesso à Informação e da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Os participantes também assinam termos de confidencialidade.
O processo envolvendo Araceli se tornou símbolo nacional da luta contra a violência sexual infantil no Brasil justamente pela brutalidade do crime e pela ausência de punição até hoje.
O caso Araceli
Araceli desaparece em 18 de maio de 1973 após sair da escola, em Vitória. Dias depois, o corpo da criança é encontrado com sinais de violência sexual, mutilações e queimaduras.
As investigações provocam enorme repercussão nacional e apontam três homens ligados a famílias influentes do Espírito Santo como suspeitos do crime.
Ao longo do processo, denúncias de interferência política, pressão sobre testemunhas e contradições marcaram o caso.
Em 1980, dois dos acusados foram condenados a 18 anos de prisão e outro recebeu pena de cinco anos. Anos depois, porém, a sentença foi anulada pela Justiça após recursos da defesa.
O processo voltou à fase de análise e terminou com absolvição dos acusados por falta de provas. Em 1993, o caso prescreveu sem que ninguém fosse responsabilizado criminalmente.
Caso virou símbolo nacional
A repercussão do assassinato ultrapassou o Espírito Santo e se tornou uma das maiores referências nacionais no combate à violência sexual contra crianças.
Por causa do caso, o 18 de maio passou oficialmente a integrar o calendário nacional de conscientização e enfrentamento ao abuso infantil.
Neste ano, um dos momentos mais simbólicos da cerimônia promovida pela Justiça capixaba é a participação do irmão da vítima, Carlos Cabrera Crespo, que atualmente vive no Canadá e acompanha o caso há décadas.
Ao comentar o novo desdobramento, ele afirmou que o mais doloroso é perceber que crimes semelhantes continuam acontecendo mesmo após mais de meio século.
A expectativa das entidades envolvidas é que a análise internacional ajude a manter viva a memória do caso e fortaleça políticas públicas de proteção às crianças e adolescentes vítimas de violência sexual no Brasil.
Faça parar. Denuncie!
Casos de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes podem ser denunciados de forma anônima pelo Disque 100, canal nacional de proteção aos direitos humanos.
A ligação é gratuita e funciona 24 horas por dia, inclusive nos fins de semana e feriados. Em situações de emergência ou flagrante, a orientação é acionar imediatamente a polícia pelo telefone 190.
Especialistas reforçam que denunciar é fundamental para interromper ciclos de violência e proteger vítimas que, muitas vezes, não conseguem pedir ajuda sozinhas.
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