Polícia investiga português que ofereceu R$ 3,2 mil por 'cabeça de brasileiro cortada no pescoço'
Departamento de Investigação Criminal de Portugal identificou o autor do vídeo e ressaltou que fatos configuram crime público
Homem português que causou revolta ao oferecer recompensa por "cabeças de brasileiros" é investigado pela polícia portuguesa. Ele foi demitido de padaria em Portugal.
O homem que revoltou a comunidade brasileira após publicar um vídeo em que oferece uma recompensa de € 500 (cerca de R$ 3,2 mil) por cada "cabeça de brasileiro" passou a ser investigado pela polícia portuguesa.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Ao Terra, a Polícia de Segurança Pública de Portugal (PSP) informou nesta quarta-feira, 3, que, assim que teve conhecimento da gravação, "desenvolveu o esforço analítico através do seu Núcleo de Cibercriminalidade do Departamento de Investigação Criminal" e conseguiu identificar o autor do vídeo.
"Neste momento, e como se trata de um crime público, procedemos ao levantamento de auto de notícia, remetendo o mesmo às autoridades judiciais competentes", afirma a PSP.
Vídeo com ameaça
"Tenho aqui esta nota para fazer o seguinte", começa o homem na publicação em sua conta no TikTok. "A cada português que me trouxer a cabeça de um brasileiro, desses 'zucas' (termo pejorativo para se referir a brasileiros, chamados de 'brazucas') que vivem aqui em Portugal, sejam legais ou ilegais... A cada português que me trouxer, cortada reta no pescoço, eu pago € 500 por cada cabeça", afirma.
"Já que é para esculhambar o português, o português também tem que começar a usar as mesmas armas para esculhambar os zucas, essa raça maldita", finaliza.
No Instagram, a conta da padaria onde o homem trabalhava, localizada na cidade de Aveiro, em Portugal, afirmou que ele não faz mais parte do quadro de funcionários da unidade. "Não aceitamos nem compactuamos com qualquer forma de racismo", diz uma publicação feita após brasileiros denunciarem o teor xenofóbico do vídeo à empresa.
"Temos orgulho da diversidade que nos caracteriza (...) Reiteramos em manter um ambiente de respeito e inclusão", continua a padaria.
O autor do vídeo não foi localizado pela reportagem para comentar o conteúdo do vídeo. O Terra aguarda um posicionamento do Itamaray a respeito do caso.