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Parente relata tentativa de abuso aos 14 anos por desembargador que inocentou réu por estupro de menina em MG: 'Ferida se abriu'

Magid Nauef Láuar é investigado pela Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) após ser alvo de acusações de abuso

25 fev 2026 - 08h36
(atualizado às 08h38)
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Desembargador Magid Nauef é investigado pela Corregedoria do CNJ
Desembargador Magid Nauef é investigado pela Corregedoria do CNJ
Foto: Reprodução/TJ MG

O servidor público Saulo Láuar, de 42 anos, afirma, em um relato publicado nas redes sociais, que o desembargador Magid Nauef Láuar tentou abusar sexualmente dele na adolescência, quando tinha 14 anos. O desembargador, que foi relator do processo que resultou na absolvição de um homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma criança de 12 anos, é investigado pela Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) após ser alvo de acusações de abuso.

Saulo é primo em segundo grau do magistrado, segundo confirmou ao jornal O Globo. No relato no Instagram, o servidor contou que trabalhava com o parente e o abuso só não se consumou porque ele conseguiu fugir.

"Infelizmente, eu não tenho vontade de desejar bom dia porque estou sem dormir direito desde a notícia dessa absolvição do pedófilo. Estou revivendo uma dor pessoal que guardei por todos esses anos e que, apesar de todo tratamento psicológico que ainda faço, a ferida se abriu novamente", escreveu Saulo.

"Meu corpo está tenso, dolorido e a garganta entalada. Cada detalhe do fato retomou seu lugar, como se tivesse acontecido ontem. Eu pensei na dor que isso poderia causar em vocês e até nele, na mãe dele, na esposa e nos filhos. Mas a dor da menina de 12 anos e de tantas outras crianças é mais forte. É mais importante nesse contexto", acrescentou o servidor.

Saulo ainda disse que quando era adolescente nutria "admiração profissional e um afeto quase paternal" por Magid. "Minha mãe confiou a ele um filho adolescente, sonhador e fragilizado. Essa decisão mostrou a face que só eu conheci e, mesmo assim, quis esconder e tentar apagar."

O servidor completou dizendo que lamenta mais essa dor da exposição, mas afirmou que ela vem como um pedido: "Protejam-se, falem alto sobre os seus limites e dores, denunciem. Quando nos calamos, a dor cresce e se espalha, as feridas não cicatrizam e pode ser tarde demais…O que resta em nós é a necessidade de lutar para encontrar um pouco de amor, paz e alegria de viver, como me ensinou minha Vó Tê!".

O Terra procurou Magid Nauef Láuar sobre a denúncia e investigação do CNJ por meio do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Em resposta, o tribunal informou que "fizemos contato com o magistrado e aguardamos seu retorno sobre a disponibilidade ou interesse em se pronunciar". A reportagem também procurou o CNJ para saber se esse e outros relatos estão sendo ouvidos durante a investigação e aguarda retorno. 

Fonte: Portal Terra
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