Ódio às mulheres ainda permanece na F1
Grande prêmio da Holanda de Fórmula 1 ficou marcado por denúncias de assédio sexual e ataques misóginos nas redes sociais
No GP da Holanda, a presença das mulheres foi mais uma vez questionada, tanto no paddock quanto nas arquibancadas. Desde a estrategista da Red Bull que teve seu trabalho colocado em dúvida nas redes sociais, com uma enxurrada de comentários misóginos, até do lado de lá das pistas, com mulheres relatando em massa episódios de assédio e abuso sexual nas arquibancadas. Uma semana se passou e a FIA (Federação Internacional do Automóvel) não se pronunciou sobre os casos, nem com uma linha escrita sequer.
Em pleno século XXI, o ódio às mulheres permanece na Fórmula 1
at this point i just have to laugh because wtf are y’all talking about pic.twitter.com/zbBumtrsu2
— alex (@11lov3rr) September 4, 2022
Nos ataques direcionados à Hannah Schmitz, estrategista da Red Bull Racing, os internautas afirmavam que a quebra do carro de Tsunoda, piloto da AlphaTauri (equipe irmã da RBR), foi planejada por Hannah para dar a vitória a Max Verstappen. Quando ocorreu a quebra, Tsunoda parou o carro na pista e após ser dada a bandeira amarela, que reduz a velocidade de todos os carros, Verstappen pôde entrar no pit lane e ter seus pneus trocados sem grande perda de tempo.
Vários outros pilotos também aproveitaram a oportunidade, como o George Russell, da Mercedes. O mesmo não foi feito por seu companheiro de equipe, Lewis Hamilton, que, por conta disso, perdeu a liderança da corrida. Ainda que a situação fosse diferente, Verstappen já acumulava mais de 270 pontos e nem ameaçado era no campeonato naquele momento. Mesmo assim, muito facilmente, com direito a uma teoria da conspiração, o trabalho de uma mulher na F1 foi colocado em xeque.
Ou seja, o ódio, principalmente dos apoiadores da Mercedes, foi direcionado à Hannah, uma mulher - e não às equipes como um todo, que possui vários outros estrategistas em uma história que não passava de um grande conspiracionismo.
E como se já não bastasse o desrespeito com uma mulher do paddock, as arquibancadas também foram cenário de violência de gênero. Segundo o grupo Formula 1 Women, ao menos 15 fãs denunciaram casos de assédio - por meio de ofensas verbais, fotografias sem permissão e toques nas nádegas, seios ou abdome. A organização do GP holandês informou ter recebido quatro outras denúncias e um caso de assédio.
É importante frisar que esta não é a primeira vez que isso acontece na maior categoria do automobilismo. No GP da Áustria, neste ano, e até mesmo em São Paulo, em 2021, inúmeras queixas foram recebidas pelos organizadores e, mesmo com a recorrência de episódios machistas, nenhuma atitude realmente eficaz foi tomada. Uma vez ou outra, notas de repúdio são publicadas, mas que não vão muito além disso. Afinal, a pauta do combate ao machismo não parece tão importante para a F1.
Um exemplo disso pode ser tirado de uma frase de Lando Norris, piloto da McLaren, quando o assunto era o banimento dos assediadores: “Um fã é um fã”. Um fã homem pode tudo, enquanto uma mulher sequer pode existir no paddock ou na torcida sem ser constantemente violentada.
Infelizmente, o ódio é perpetuado quando, mesmo após 74 edições, a F1 parece não ter entendido que mulheres sofrem misoginia todos os dias e as ações precisam ser urgentes.
Posicionamento
Diante das mensagens de ódio direcionadas à Hannah, a equipe AlphaTauri se pronunciou nas redes-sociais em defesa da funcionária, repudiando os ataques e explicando o que houve com o carro de Tsunoda, afirmando que a situação nada tinha a ver com a estrategista da RBR.
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