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Indigenistas da Funai anunciam greve e pedem reforço na segurança no Vale do Javari

Servidores públicos pedem retratação do presidente da Funai, Marcelo Xavier, e querem mais proteção nas bases do órgão na região de fronteira no Amazonas

13 jun 2022 - 18h38
(atualizado às 22h05)
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BRASÍLIA - Os servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai) decidiram em assembleia na tarde desta segunda-feira, 13, pela realização de uma paralisação de 24 horas a partir das 9h desta terça, dia 14. Para evitar a que as atividades sejam suspensas, os indigenistas pedem que o presidente da Funai, o delegado da Polícia Federal Marcelo Xavier, retire declarações feitas contra o indigenista Bruno Pereira. Servidor licenciado da Funai, Ribeiro está desaparecido desde a manhã do domingo passado, dia 5, na região do Vale do Javari, no extremo oeste do Estado do Amazonas. Ele estava acompanhado do jornalista britânico Dom Phillips.

A deflagração da greve foi decidida pelas principais entidades que representam os servidores da Funai: a Indigenistas Associados (INA); a Associação Nacional dos Servidores da Funai (Ansef); o Sindicato dos Servidores Públicos do Distrito Federal (Sindsep); e a Confederac¸a~o dos Trabalhadores no servic¸o Pu´blico Federal (Condsef).

Além da retratação, os indigenistas querem que o governo federal garanta a segurança de seus servidores, enviando agentes de segurança para as bases remotas do órgão junto às comunidades indígenas no Vale do Javari; e o reforço destas bases com o envio de uma força-tarefa para a região.

Nos últimos dias, o presidente da Funai, Marcelo Xavier, passou a dizer em entrevistas que Bruno Pereira não tinha as autorizações necessárias para entrar em terras indígenas como a do Vale do Javari - na verdade, Bruno pediu autorização à Coordenação Regional da Funai na região, seguindo as diretrizes do próprio órgão.

Bombeiros encontram pertences do indigenista Bruno Ribeiro e do jornalista Dom Phillips na região do Vale do Javari, no Amazonas
Bombeiros encontram pertences do indigenista Bruno Ribeiro e do jornalista Dom Phillips na região do Vale do Javari, no Amazonas
Foto: Wilton Junior/Estadão

Na última sexta-feira, dia 10, a Funai chegou a publicar nota oficial dizendo que Bruno não tinha autorização adequada para visitar o local acompanhado do jornalista britânico. "No caso do indigenista, foi emitida autorização em âmbito regional para que o indigenista ingressasse em terra indígena, com vencimento em 31/05/2022, sem o conhecimento dos setores competentes na Sede da Funai, em Brasília, o que será apurado internamente", diz o texto da Fundação.

Para evitar a deflagração da greve, os indigenistas querem que Marcelo Xavier se retrate publicamente "pela difamac¸a~o e pelas inverdades presentes em suas declarac¸o~es pu´blicas acerca do caso de desaparecimento de Bruno Pereira e Dom Phillips". A retratação pedida "deve admitir os equi´vocos de falsas argumentac¸o~es sem nenhum embasamento legal dentro da poli´tica indigenista brasileira".

Indigenista e jornalista estão desaparecidos

    Em nota, os indigenistas dizem ainda que não há qualquer iniciativa para auxiliar os servidores que trabalham nas bases do Vale do Javari e nem para garantir a segurança deles. "Ressalta-se que se passaram mais de uma semana desde o desaparecimento do servidor Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips e tais medidas urgentes na~o foram sequer iniciadas", diz um trecho.

    Estadão
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