Estudantes indígenas da Bahia têm notas de destaque na redação do Enem 2023
Inseridas na Educação Escolar Indígena, jovens citam a importância da escola na preparação para o Enem
Três estudantes do Colégio Estadual Indígena Capitão Francisco Rodelas, em município localizado no norte da Bahia, brilharam na redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2023 com notas acima de 900.
Entre os alunos de destaque está Nara Raquel Cruz Ferreira, de 17 anos, com pontuação de 960. A jovem deseja cursar medicina na UNEB (Universidade do Estado da Bahia).
A estudante Rute Nara Cruz Ferreira, que é irmã gêmea de Nara, também pretende cursar medicina e garantiu 900 pontos na redação do Enem. Da mesma escola, a aluna Maria Teresa Cataá alcançou 930 pontos.
As jovens citam a importância do papel do colégio na preparação para o Enem. “No decorrer do ano, o colégio oferece simulados semelhantes ao Enem, nos preparando para ingressar nas universidades, como projeto de vida e de povo para que possamos ocupar os espaços fora da aldeia”, disse Nara, em publicação da Secretaria de Educação do Estado da Bahia.
Poliana Reis, diretora de Educação dos Povos e Comunidades Tradicionais, afirma ser fundamental políticas públicas voltadas para os povos indígenas na educação.
“O estudante indígena sabe que ele pode seguir qualquer profissão que quiser, pois todas essas políticas públicas voltadas para os povos indígenas têm garantido a oferta de educação de qualidade, tanto na educação básica, quanto na educação superior", afirmou.
O que é a Educação Escolar Indígena?
É uma modalidade da educação básica que garante aos indígenas, suas comunidades e povos a recuperação de suas memórias históricas, valorizando suas identidades étnicas, línguas, costumes e tradições.
A Educação Escolar Indígena é um direito garantido na Constituição Federal Brasileira de 1988, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/96) que possibilita às comunidades indígenas o acesso à uma educação diferenciada, específica e bilíngue.