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Atleta acusa Rede Lucy de discriminação e capacitismo

Wilson Silva afirma ter sido impedido de entrar na unidade de Campinas por não ter acompanhante. "Foi constrangedor. Uma norma intransigente e autoritária". Após denúncia, Secretaria da Saúde de SP admite reavaliar procedimentos.

12 fev 2023 - 11h39
(atualizado em 12/2/2023 às 09h09)
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Wilson Osmar e Silva pratica arremesso de peso, dardo e disco, e também joga handebol.

O atleta Wilson Osmar e Silva, de 47 anos, acusa a unidade de Campinas da Rede Lucy Montoro de discriminação e atitude capacitista. Ele afirma ter sido impedido de entrar no local nesta quinta-feira, 9, por não ter um acompanhante.

"Sou cadeirante desde 1998, tenho lesão na coluna lombar (L1 e L2) por ferimento de arma de fogo. Já fiz reabilitação na AACD e outros centros. Nunca precisei de acompanhante", conta.

Silva sofreu um acidente em maio de 2022 na rua onde mora, em Sumaré, município da região metropolitana de Campinas. "A rodinha da minha cadeira travou no 'olho de gato', aquele tacho de sinalização fixado na rua. Eu caí e quebrei o fêmur da perna direita. Já fiz cirurgia e reabilitação. Fui à Rede Lucy para a primeira consulta de triagem porque vou colocar uma órtese. É uma indicação do médico que acompanha meu caso, para eu poder ficar em pé e até caminhar com apoio do andador, para calcificação e fortalecimento da perna", detalha.

O atleta pratica arremesso de dardo, peso e disco, além de handebol (HCR-4) pela cidade de Sumaré, equipe vice-campeã paulista. "Fique parado durante a pandemia e os treinos voltaram há pouco tempo. Depois, tive a fratura no fêmur e fiquei afastado por 10 meses", diz.

Wilson Osmar e Silva veste a camisa 10 da equipe vice-campeã paulista de handebol, categoria HCR-4, da cidade de Sumaré.

Outro problema apontado pelo atleta na unidade da Rede Lucy em Campinas foi a falta de vagas bem sinalizadas para pessoas com deficiência no estacionamento. "Havia duas vagas, com a pintura quase invisível e sem o espaço sinalizado para movimentar a cadeira de rodas, para embarque e desembarque do usuário da cadeira. E essas duas vagas estavam ocupadas por carros que não tinham o cartão de identificação e autorização que é obrigatório. Um dos seguranças foi muito gentil e me permitiu estacionar no espaço das ambulâncias, mas disse que eu poderia ser advertido", detalha Wilson Osmar e Silva.

Resposta - As unidades da Rede Lucy Montoro no interior paulista são administradas pela Secretaria de Estado da Saúde (SES). Questionada pelo blog Vencer Limites sobre o caso, a pasta respondeu em nota.

"A Rede Lucy Montoro de Campinas informa que o paciente W.O.S. não deixou de ser atendido na unidade. O local, que conta com vagas para pessoas com deficiência, estava com o estacionamento lotado, porém foi disponibilizado para ele uma área para estacionar seu veículo. Como é de rotina na unidade, se questionou se ele estava com acompanhante, o que não impediu que ele fosse atendido. Ocorre que ele foi até a unidade para realizar a troca da órtese, mas a unidade não realiza a troca de órteses, próteses e materiais especiais (OPM) para pacientes que não estão em reabilitação. O paciente foi orientado e, nestes casos, a pessoa deve procurar a referência do município de origem", afirma a nota.

Wilson Osmar e Silva rebate as alegações da SES. "Está tudo errado nessa resposta. Eu não fui atendido, sequer consegui entrar no prédio, exatamente por não estar acompanhado. Além disso, não fui até lá colocar ou retirar órtese. Eu tinha a primeira consulta de triagem, após reabilitação da lesão do fêmur, para, em outro dia, dar sequência à confecção da órtese, mas não entrei na unidade", descreve o atleta.

"Foi muito constrangedor. Sou independente, tenho autonomia, não preciso e nunca precisei de acompanhante. Nem com uma carta do médico atestando que não preciso de acompanhante eu conseguiria entrar. A Rede Lucy precisa rever essa intransigência, essa norma aplicada de maneira autoritária", desabafa o atleta.

Wilson Osmar e Silva já está em contato com advogado para ajuizar ação na Justiça.

Atualizado às 22h48 - O blog Vencer Limites pediu uma nova explicação da SES, que enviou outra nota.

"A Secretaria de Estado da Saúde (SES) lamenta o ocorrido relatado pelo paciente W.O.S. na Rede Lucy Montoro de Campinas. A pasta informa que irá apurar o caso e, se constatada a inadequação de protocolos que não garantam o atendimento pleno a todos os pacientes que são assistidos pelas unidades da Rede, vai reavaliar esses procedimentos".

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Estadão
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