Alunos do ITA apresentam jogo baseado no caso Epstein em que garota de 15 anos tenta fugir de 6 homens
Caso repercutiu negativamente entre alunos da instituição e nas redes sociais; instituição diz que a proposta foi imediatamente descartada
Estudantes do curso de engenharia da computação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) apresentaram para a sala de aula um projeto de jogo digital inspirado no caso de Jeffrey Epstein. Na proposta, a vítima seria uma personagem de 15 anos que é sequestrada e levada para uma ilha, onde é mantida por seis homens e precisa encontrar uma forma de escapar.
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O episódio ocorreu no instituto durante uma aula nesta semana e passou a repercutir nas redes sociais após relatos de alunos da própria instituição que criticaram a apresentação. Um grupo formado apenas por homens foi responsável por apresentar o jogo, que fazia referência ao caso Epstein.
Jeffrey Epstein foi um bilionário americano que teve seu rosto estampado em capas de jornais após ser oficialmente denunciado no estado de Nova York por tráfico sexual envolvendo meninas menores de idade. Ele estava preso em uma unidade prisional em Manhattan, aguardando julgamento, em 2019, quando foi encontrado morto na cela. O empresário era conhecido por circular entre a elite e manter relações com figuras poderosas, como o presidente americano Donald Trump, o ex-presidente Bill Clinton e o ex-príncipe Andrew, do Reino Unido.
Na proposta do jogo, a personagem principal seria uma adolescente de 15 anos que é sequestrada e levada para uma ilha. No local, ela precisaria encontrar uma forma de escapar, conseguindo acesso a um barco e combustível. Para isso, teria que se esquivar de seis vilões, todos homens.
Cada um desses personagens teria uma preferência específica, que deveria ser explorada pela protagonista para aumentar suas chances de fuga. Um deles, por exemplo, não gostava de pessoas que ficassem rindo. Assim, a personagem precisaria adaptar suas expressões e comportamentos de acordo com as características de cada vilão para tentar escapar.
Imagens da apresentação que passaram a circular no X mostram que, em um dos slides, os alunos exibiram uma foto de Epstein. O caso repercutiu negativamente tanto entre alunos da instituição quanto nas redes sociais, onde muitas pessoas classificaram como “absurdo” o jogo apresentado pelo grupo. “Nós estamos em uma epidemia de machismo e misoginia muito grande”, comentou uma internauta. “A falta de sensibilidade e noção é alarmante”, criticou outra.
Em um comentário publicado no Instagram, uma estudante relatou que muitas mulheres que criticaram o jogo foram “ridicularizadas”. “Nos ridicularizaram no grupo quando viram que estávamos nos posicionando. Emojis rindo, tirando onda. Realmente muito difícil ser mulher no instituto”, publicou ela.
Em nota, a Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), afirmou ao Terra que a atividade mencionada ocorreu durante uma aula do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), ministrada para alunos do curso de Engenharia de Computação e que tem, entre os exercícios propostos, a concepção de um jogo interativo, com o objetivo de que os estudantes desenvolvam habilidades de programação e estruturação de código.
No contexto dessa atividade, os alunos foram convidados a apresentar propostas iniciais de temas para o desenvolvimento de jogos que seriam trabalhados ao longo do bimestre, exclusivamente no âmbito acadêmico da disciplina.
"Em relação ao tema específico mencionado na reportagem, a proposta foi imediatamente descartada por ter sido identificada como assunto inapropriado. O ITA destaca que o caso está sendo tratado de forma célere e responsável, dentro das normas vigentes da instituição. Ações de conscientização serão reforçadas junto à comunidade discente por meio do Grupo de Trabalho de Equidade de Gênero e demais órgãos da estrutura administrativa e acadêmica do Instituto", disse a FAB.
"O ITA reafirma seu compromisso com a formação técnica e ética de seus estudantes e com a promoção de um ambiente acadêmico seguro, pautado pelo respeito, pela responsabilidade e pela integridade", acrescentou no posicionamento.