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Eleição na Flórida é marcada por erros

Sexta, 10 de novembro de 2000, 05h06min
O que ocorreu nas eleições na Flórida? Duas coisas: as pesquisas de boca-de-urna davam um resultado: vitória de Gore.

Mas houve erros na votação e omissões e distorções nas respostas nas pesquisas de boca-de-urna. Houve entrevistadores mal treinados e respostas induzidas. No Rio de Janeiro, a geografia dos votos anulados devido a erro (exemplo: escrever Lula para governador) é clara: ela é muito maior nos bairros com mais baixo nível educacional. Quando a cédula é complexa, os erros crescem. Os fiscais de apuração de diferentes partidos atestam que parte significativa dos votos nulos se deve a erro, ou seja, são votos errados, não são votos anulados intencionalmente pelo eleitor.

E os erros na reportagem sobre a contagem? Esses, quase sempre, se devem a achar que a ordem da contagem dos votos é aleatória. Não é. No Brasil pré-eletrônico e com transporte difícil, as urnas tinham de ser transportadas do interior e contadas na capital. Com isso, freqüentemente, a esquerda começava bem e terminava mal. Os votos da capital e das cidades maiores, contados primeiro, davam vantagem aos candidatos progressistas; os votos do interior, onde os conservadores ganhavam, chegavam depois, eram contados mais tarde e, às vezes, invertiam o resultado.

Nos Estados Unidos não é muito diferente, mas, como no Brasil de hoje, a contagem eletrônica faz tudo mais rápido. Dependendo de quais seções (precincts) são computados primeiro, os resultados iniciais podem ser revertidos mais tarde. Na Flórida, o centro-norte e o norte (de Orlando para cima) são bastiões conservadores, mas com população menor; a Gold Coast é mais progressista; alguns precincts têm numerosa população negra que favorece os democratas na razão de 8 para 1 e até de 9 para 1. Com isso, o resultado flutuou para lá e para cá.

Nos Estados Unidos, o observador casual que vê seu candidato na frente, até ser anunciado ganhador no Estado, para depois ver o anúncio de que perdeu ou a disputa está tão apertada que não dá para dizer quem ganhou, tendo de esperar os votos pelo correio (de residentes do Estado que estão fora do país), pode chegar a suspeitar do impossível, de que houve trapaça. Há um certo preconceito em relação ao sul e os republicanos, adeptos de Bush, falaram em falsificação de resultados até que alguém lhes lembrou que o governador da Flórida é irmão de Bush.

Comparativamente, tanto a nossa apuração quanto a nossa reportagem foi muito superior. Aqui, tudo o que sabemos é que as redes e estações de televisão pisaram feio na bola.

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O Estado de S. Paulo

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