Cuba, acostumada a ser qualificada por Washington como ditadura, viu o feitiço virar contra o feiticeiro na quarta-feira quando zombou da confusão eleitoral nos Estados Unidos, descrevendo-a como prova das raízes "antidemocráticas" da política norte-americana. Enfatizando o desdém de Havana pela corrida para a Casa Branca - e seu desfecho agora complicado -, a TV estatal mostrou imagens do presidente Fidel Castro indo à praia no dia da eleição norte-americana, numa demonstração deliberada de desinteresse. Numa alusão maliciosa ao baixo índice de comparecimento dos eleitores às urnas nos EUA - pouco acima de 50% -, Castro, de 74 anos, disse a turistas, em tom de brincadeira: "Eu disse que, no dia das eleições americanas, faria a mesma coisa que a maioria da população americana: iria à praia". Antes da eleição, Castro zombou dos candidatos Al Gore e George W. Bush, dizendo que são os mais "insípidos e enfadonhos" da história eleitoral dos EUA, e que não prevê uma aproximação política por parte de nenhum deles.
Cuba afirma que a democracia ocidental, e especialmente a americana, é a uma farsa devido ao baixo comparecimento dos eleitores às urnas e à influência dos doadores que ajudam a financiar as campanhas. Seu governo afirma que Cuba pratica a democracia real, com mais de 99 por cento de comparecimento eleitoral às urnas e consultas às bases. Mas críticos externos, liderados pelos EUA, qualificam o sistema unipartidário de Fidel Castro como repressivo e ditatorial. Os partidos oposicionistas são proibidos, ativistas oposicionistas muitas vezes são encarcerados, e críticos estrangeiros e dissidentes cubanos dizem que as eleições em Cuba não passam de mecanismos de confirmação burocrática de candidatos pró-governo.
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