Atualizada às 2h12Segundo os últimos dados divulgados pela CNN, citando a agência de notícias Associated Press, o republicano Bush está com 229 votos de vantagem sobre o candidato democrata Gore na recontagem dos votos na Flórida. Os dados são da recontagem em 66 dos 67 condados do estado e são baseados em informes dos repórteres da agência de notícias.
Segundo estes dados, a vantagem continua com o republicano George W. Bush, que está com 2.909.814. Seu adversário, o democrata Al Gore fica logo atrás com 2.909.585. Neste informe, falta apenas o resultado do condado de Seminole.
O prazo para a conclusão da recontagem oficial termina na próxima terça-feira à noite, mas o resultado oficial da votação na Flórida só sairá dia 17 - quando vence o prazo para a chegada e apuração dos votos enviados por correspondência do exterior.
A rede CNN, por sua vez, acrescentou um novo ingrediente ao drama ao noticiar a descoberta de novos votos, aparentemente em distritos com uma maioria de eleitores democratas, que por razões não explicadas não teriam sido incluídos na apuração.
Em tom de desafio, o chefe da campanha presidencial de Gore, o ex-secretário do Comércio Bill Daley, por pouco não acusou seus adversários de orquestrar uma fraude na Flórida, em que o governador é irmão do candidato presidencial republicano ao pedir que os tribunais "examinem seriamente o que pode ser uma injustiça sem paralelo em nossa história".
A Justiça federal, que provavelmente terá papel central na resolução do impasse, já entrou em ação. Hoje, um juiz federal em Palm Beach começou a ouvir os argumentos em dois processos iniciados por eleitores de Gore para pedir a anulação da votação e a realização de nova eleição para presidente na Flórida. Eles alegam que a cédula era defeituosa e os induziu seja a escolher o candidato errado ou a anular o voto ao tentar corrigir o erro.
Em 1997, um juiz estadual anulou a eleição para prefeito de Miami, depois de constatar uma fraude, e ordenou nova eleição. Mas a decisão foi anulada em instância superior e o caso demorou quatro meses para ser resolvido pela Justiça estadual, em favor do candidato vítima da fraude. Há fortes indícios de que as queixas dos eleitores de Palm Beach são bem fundamentadas.
De acordo com funcionários eleitorais em Palm Beach, um distrito fortemente democrata, onde Gore ganhou por uma diferença de 110.000 votos, nada menos do que 19.120 sufrágios foram anulados por conter dois furos na coluna da eleição presidencial.
Além disso, o candidato da ultradireita, Patrick Buchanan, que tem poucas chances de receber uma votação expressiva num distrito majoritariamente judeu e negro, obteve 3.783 votos em Palm Beach, ou 20% de seu total em toda a Flórida.
Isso provavelmente explica a discrepância entre os números apurados pelas pesquisas de boca-de-urna feitas em Palm Beach pelo Voters News Service, usado por todas as redes de tevê para projetar os resultados, e os números revelados pela apuração, que as forçou a voltar atrás em sua decisão inicial de dar Gore como vitorioso na Flórida.
O próprio Buchanan reconheceu hoje que houve "ineptidão" no desenho da cédula. "Eu provavelmente recebi alguns votos (em Palm Beach) que realmente não me pertencem e não me sinto bem a respeito", disse, "Não quero tomar de ninguém votos que não me pertencem."
Na quarta-feira, num gesto considerado temerário por muitos analistas, Bush praticamente proclamou-se vencedor. Hoje à tarde seus assessores disseram que ele estava trabalhando na lista das pessoas que nomeará para integrar sua equipe de transição.
O anúncio da equipe de transição republicana antes de uma contagem definitiva na Flórida ou de Gore conceder a vitória a seu rival só complicaria as coisas.
A recontagem dos votos está sendo acompanhada por dois ex-secretários de Estado, o democrata Warren Christopher e o republicano James Baker, e mais de 50 advogados de cada lado.
Baker procurou esvaziar qualquer tentativa de anulação das eleições em Palm Beach, o que indica que republicanos e democratas poderão eventualmente levar o caso até à Suprema Corte.
"Eles tiveram chance de ter suas vozes ouvidas", disse Baker referindo-se aos eleitores que iniciaram a ação judicial. "A cédula foi publicada em jornais e exposta em lugares públicos antes da votação em toda a Flórida, como manda a lei, e foi aprovada por um funcionário do Partido Democrata", acrescentou. "E não ouvimos nenhuma reclamação sobre ela até depois da votação."
Contra esse argumento há o fato de que a disposição da cédula no aparato mecânico usado na eleição tornou a escolha confusa para muitos eleitores, como sugerem os mais de 19.000 votos anulados - proporção muito maior do que em outros distritos.
Num aparente sinal de nervosismo, funcionários republicanos no Estado de Iowa, onde Gore venceu por uma margem de menos de 5.000 votos em mais de 1,2 milhão, anunciaram hoje que poderão pedir uma recontagem. Gore não precisa dos sete votos eleitorais de Iowa para conquistar a presidência, se tiver os 25 da Flórida.
Mas a ameaça republicana fez aumentar o clima de tensão do extraordinário episódio, que provavelmente já provocou danos à credibilidade do sistema eleitoral da mais poderosa democracia do mundo.
O fato de Gore ter vencido a votação popular não pesa na decisão do impasse na Flórida. O próprio vice-presidente disse, na quarta-feira, que respeitará a Constituição.
Pela Constituição, vence a eleição quem ganhar a maioria dos 538 votos eleitorais. Gore tem, no momento, 260, ou seja, 10 a menos do que a maioria de 270. Bush tem 246.
As autoridades eleitorais da Flórida anunciaram na noite desta quinta-feira que o resultado final da recontagem dos votos no estado, da qual depende o resultado das eleições presidenciais da última terça-feira, só será conhecido na próxima semana.
Enquanto isso, agrava-se a crise sem precedentes na história dos Estados Unidos desencadeada por alegações de irregularidade e atos de intimidação de eleitores, depois que a primeira apuração mostrou a vitória do candidato republicano, o governador do Texas, George W. Bush, sobre seu rival democrata, o vice-presidente Al Gore, por uma margem de menos de 1.800 votos num total de quase 6 milhões de eleitores.
Com informações da Agência Estado, Associeted Press e CNN.
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