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Gore critica postura do irmão de Bush

Sexta, 10 de novembro de 2000, 04h59min
Com seu notebook ligado na Internet, o militante democrata Michael Whouley, de 42 anos, restabeleceu o humor do desolado democrata Al Gore, que já se considerava irremediavelmente derrotado pelo republicano George W. Bush nas eleições presidências americanas, convencendo-o a retormar a luta pela Casa Branca. Comparando dados, Whouley, um conhecido ativista democrata ligado ao staff de Gore, concluiu que a situação eleitoral na Flórida não estava definida a favor de Bush, como inicialmente parecia: a diferença entre os candidatos diminuíra drasticamente (de milhares para umas poucas centenas de votos) e seria necessária uma recontagem.

Horas antes, diante da larga vantagem de Bush na apuração divulgadas pela TV, Gore havia telefonado para o republicano cumprimentando-o pela vitória.

Às 2 horas da madrugada do dia 8, Gore, muito abatido, dirigia-se de automóvel com vários assessores de seu hotel em Nashville para a praça do Memorial de Guerra, onde faria o "discurso da derrota" diante de seus partidários. Nem bem o cortejo partiu, Michal Feldman, um assistente de Gore, recebeu uma chamada urgente em seu pager. Era Whouley, que havia analisado o banco da dados da Secretaria do Estado da Flórida. "É muito cedo para admitir a derrota", disse, referindo-se a um pronunciamento do governador da Flórida, Jeb Bush, que havia proclamado por uma rede de TV seu irmão, George W. Bush, " presidente eleito dos Estados Unidos".

Gore foi imediatamente alertado, parou o carro e retornou ao hotel.

Telefonou para Bush para retirar a "admissão de derrota". Segundo assessores do candidato democrata, houve o seguinte diálogo:

Gore - "As circunstâncias mudaram drásticamente desde meu telefonema anterior."

Bush (incrédulo) - "Você está dizendo o que eu creio que está dizendo?

Telefonou para retirar a admissão da derrota?"

Gore - "Calma. Deixe-me explicar: se a recontagem de votos o favorecer, serei o primeiro a reconhecer isso. Acho, porém, que não devemos fazer declarações com a Flórida ainda em discussão." E acrescentou, numa alusão à proclamação de Jeb Bush: "Com o devido respeito a seu irmão (irmãozinho, segundo ouviram alguns assessores), ele não é o juiz final desta eleição."

Bush - "Faça o que bem entender!"

Depois dessa conversa, que durou 90 segundos, começou a "batalha da Flórida".

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O Estado de S. Paulo

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