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Blair parabeniza Bush depois da falha das TV americanas

Quinta, 09 de novembro de 2000, 02h48min
Anunciada como definitiva a vitória de George W. Bush às 8 horas, em Paris, o presidente Jacques Chirac foi o primeiro a cumprimentá-lo pela "vitória", com um precipitado telegrama distribuído pela agência France Presse. Ele saiu alguns minutos na frente do primeiro-ministro britânico, Tony Blair. Logo depois, o chanceler francês, Hubert Védrine, dos salões do Quai d'Orsay, passou a analisar em entrevista à televisão francesa as conseqüências da "vitória" para a Europa. Lembrou que "os princípios de base da cooperação com os EUA permaneciam os mesmos com Bush".

Imediatamente as bolsas de valores saudaram a vitória de Bush abrindo em alta de mais de 1,5%, O dólar fortaleceu-se diante do frágil desempenho do euro: o candidato conservador dos meios financeiros e empresariais havia, pensava-se, derrotado o vice-presidente democrata Al Gore, o homem que pretendia restaurar o papel do Estado na economia dos EUA.

Comentaristas franceses e correspondentes de jornais americanos em Paris, assessorados por professores da Sorbonne, de Harvard e do Instituto Francês de Relações Internacionais, todos especialistas em relações com os EUA, passaram a analisar o que mudava nas relações entre os dois blocos políticos e econômicos. Tudo isso durou uma boa hora, até que esses analistas começaram a estranhar a demora de Al Gore em reconhecer a derrota e de Bush anunciar vitória.

Quando a notícia da suspensão da vitória de Bush chegou à Paris, políticos, professores e jornalistas não puderam esconder um certo constrangimento diante das câmeras de televisão. Védrine, conhecido por sua extrema prudência, desapareceu das telas. Bolsas e dólar caíram.

Chefes de Estado de mais de uma dezena de países, que também se apressaram em enviar mensagens de congratulações para Bush, viram-se numa desconcertante situação. Alguns chegaram a se retratar. Outros se calaram diante da saia justa diplomática.

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O Estado de S. Paulo

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