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Sistema eleitoral dos EUA confunde o mundo

Quarta, 08 de novembro de 2000, 18h06min
A reação mundial ao bizarro curso da eleição norte-americana variou da surpresa ao desdém hoje. Um comentarista chegou a classificar o sistema eleitoral dos Estados Unidos de "idiota". Mesmo com 99,9% dos votos contados, o vencedor ainda não está definido.

Numa baderna inédita, a aparente vitória do republicano George W. Bush sobre o democrata Al Gore foi colocada na geladeira por pelo menos mais um dia e meio. Tudo depende da recontagem dos votos na Flórida. Líderes que se apressaram em cumprimentar Bush foram forçados a recuar. Os holandeses tiveram que se retratar oficialmente.

Outras coisas estranhas da eleição foram o caso de um homem morto que ganhou uma cadeira no Senado e os aposentados que votaram no candidato errado na Flórida porque acharam as cédulas muito complicadas. "O que está acontecendo nos Estados Unidos?", perguntou Nabil Ramlawi, diretor da missão palestina na sede da ONU em Genebra. "Normalmente outras partes do mundo são acusadas quando isso acontece em seus países, mas hoje vemos acontecer nos Estados Unidos".

Em Londres, o jornal Evening Standard representava o dilema de muitos meios de comunicação. "Bush Vence", foi a manchete da primeira edição da tarde. Mais tarde, a manchete do jornal foi "Recontagem". Dentro, uma reportagem dizia: "Como Bush foi o próximo presidente durante 84 minutos".

Um dos principais motivos para a confusão é o misterioso sistema do colégio eleitoral, que efetivamente escolhe o presidente. "Eles têm um sistema tolo de governo inventado 200 atrás", disse o analista Christoph Bertram, chefe do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais. "Por que deveria funcionar?", perguntou Bertram durante entrevista à Reuters na semana passada.

"Você pode ter uma situação em que o candidato que vence no colégio eleitoral pode ter perdido no voto popular - é um sistema político extraordinário que não deve ser imitado por ninguém". Outro crítico é o primeiro-ministro sueco, Goran Persson. "Estou um pouco confuso, mas, ao contrário de outras pessoas, não mandei um telegrama de felicitações e tive que cancelar". "Se Bush ganhar, será presidente após uma eleição em que seu adversário teve mais votos. Acho que isso vai levar a um debate sobre a Constituição", disse Persson.

Na República Centro-Africana, poucas pessoas foram à embaixada dos Estados Unidos para acompanhar a apuração, apesar do café da manhã grátis. "Isso está muito, muito longe", disse à Reuters Raphael Kopessoua, diretor do jornal semanal Vouma. "Me pergunto se Al Gore ou George Bush seriam capazes de apontar a República Centro-Africana no mapa".

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