Renault Bridger pode ser produzido no Brasil, diz presidente da marca
Fabrice Cambolive, CEO da empresa, garantiu que versão de produção do conceito não tem quaisquer impedimentos de ser vendida e até mesmo feita no país
A Renault apresentou nesta terça-feira, 10, o Bridger, conceito que dará origem a um SUV compacto que será lançado pela companhia em 2027 na Índia. O Brasil, contudo, tem totais capacidades de receber o modelo no futuro. Isso nas palavras do CEO da marca, Fabrice Cambolive.
O executivo salientou que o Bridger é uma solução inicialmente com foco na Índia. No entanto, em entrevista concedida a um grupo de jornalistas latino-americanos, Cambolive não descartou o nosso mercado como um dos que podem receber a versão de produção do vindouro SUV compacto.
"A prioridade é a Índia, onde o modelo será lançado bem antes do fim do próximo ano. Dito isso, não há quaisquer impedimentos técnicos para que o Bridger seja vendido ou até mesmo produzido no Brasil", salientou o CEO da marca Renault.
O SUV carrega, ao menos em sua variante conceitual, linhas mais retas e robustez que lhe garante um quê de Land Rover Defender. Tem menos de 4 metros de comprimento e balanço traseiro bem curtinho. Ademais, tem, tal qual o clássico Duster, estepe na tampa do porta-malas.
Além disso, o novo SUV é feito sobre a plataforma RGMP, a mesma de Koleos e Boreal. A Niagara, a ser produzida na Argentina, também se valerá da base. Justamente por isso, Cambolive ressaltou que não há empecilhos para que a Renault venda o Bridger no país. O veredito, porém, parte de outra figura relevante da empresa.
"As decisões referentes aos carros que serão vendidos ou não no Brasil sempre estarão nas mãos do Ariel (Montenegro, presidente da companhia para o nosso país). É ele quem irá definir qual será o automóvel mais importante para o nosso portfólio neste mercado", apontou Cambolive.
Renault Bridger: o "mini Duster"
O conceito revela que a marca já desenvolve um carro que pode ser um produto com visual mais aventureiro para o segmento B. O representante da fabricante francesa hoje neste campo é o Duster, um projeto original Dacia.
Apesar de a Renault afirmar que o Bridger seria um veículo da mesma seara que a do Jeep Renegade, é possível dizer que o carro ficaria posicionado entre o Kardian e o Kwid (entenda mais adiante).
Conforme mencionado anteriormente, o Renault Bridger terá menos de 4,00 m de comprimento. Isso significa que ele será menor que o Kardian. Para se ter uma ideia, este último tem 4,11 m de comprimento.
Ao prometer menos de quatro metros de comprimento, é de se esperar que o modelo fique posicionado acima do Kwid, tendendo a concorrer com o novo Fiat Argo, que deve estrear no Brasil ainda este ano.
Ou seja, ele pode surgir como um provável substituto da linha Sandero e Sandero Stepway, mas com uma proposta de SUV, assim como o Volkswagen Tera. A Renault, inclusive, disse que o modelo "vai se tornar uma nova referência nos centros urbanos", afirma a Renault em nota.
As rodas do conceito são de 18 polegadas. O único dado técnico divulgado além do comprimento foi o espaço para bagagem: 400 litros, número surpreendente para um veículo que promete ter menos de 4,00 m de comprimento.
O visual traz um ar robusto, com linhas bastante anguladas e distância do solo de 200 mm. O formato mais vertical da dianteira ajuda a abrigar faróis grandes, com luzes diurnas de LED bem marcadas.
Na lateral, se não fosse a divulgação das dimensões, seria possível imaginar um concorrente de modelos como o Land Rover Defender. O desenho é bastante recortado, o que indica bom espaço para cabeça e ombros dos ocupantes, já que a cabine aparenta ser alta.
De acordo com a Renault, a plataforma RGMP consegue abrigar projetos com motorização a combustão, híbrida e 100% elétrica. O conjunto motriz será definido pela marca francesa para cada mercado individualmente.
O carro será produzido na Índia até o final de 2027. Muito por conta do que foi dito por Cambolive, se o Bridger for lançado no Brasil
Renault promete lançar 36 novos produtos até 2030
Em anúncio realizado nesta terça, a Renault disse que irá lançar 36 novos modelos. A Europa deve receber parte relevante da ofensiva internacional da marca, que prevê 36 novos modelos até 2030.
Destes, 22, diz a Renault, são exclusivos para o Velho Continente (sendo 16 elétricos) e 14 são destinados a mercados fora do continente.
O plano estratégico também detalha a próxima geração tecnológica da Renault. Um dos pilares é o Software Defined Vehicle (SDV), em que o carro passa a funcionar como um dispositivo digital atualizável. Segundo o grupo, 90% das funções dos veículos poderão ser atualizadas remotamente, reduzindo o tempo de desenvolvimento e permitindo melhorias contínuas.
Além disso, a plataforma elétrica de próxima geração, chamada RGEV Medium 2.0, terá arquitetura de 800 volts, permitindo carregamento ultrarrápido em até 10 minutos em condições ideais até o final da década. É algo similar em termos de tecnologia ao que temos, por exemplo, na BYD e na Tesla.
A meta da Renault é atingir 750 km de autonomia no ciclo WLTP, podendo chegar a 1.400 km em versões com extensor de alcance. Este pode, inclusive, ser um trunfo para futuros modelos eletrificados à venda em nosso país. É uma tecnologia parecida, bom lembrar, com a do Leapmotor C10.