O caminhão que nunca te atropela: veja tecnologias que vão inibir acidentes com veículos pesados
ZF reúne câmeras, radares, sensores, microfones e inteligência artificial para criar um sistema que monitora todo o entorno do caminhão, inclusive a carreta
Caminhões modernos já contam com alerta de ponto cego, frenagem automática e piloto automático adaptativo. O problema é que, na maioria dos casos, esses sistemas trabalham de forma independente e enxergam apenas o cavalo mecânico, deixando grande parte do implemento para trás — não só literalmente, mas também em termos de tecnologia.
A proposta da ZF é mudar esse conceito. Durante o Commercial Vehicle Technology Day, realizado na pista de testes da empresa na Alemanha, a fabricante apresentou um conjunto de tecnologias que transforma caminhão e implemento em um único sistema inteligente de segurança. A ideia é simples: eliminar os pontos cegos e monitorar continuamente tudo o que acontece ao redor da composição.
Na prática, o caminhão passa a utilizar câmeras, radares, sensores, microfones e softwares capazes de interpretar o ambiente em tempo real. Em vez de apenas alertar o motorista, o sistema também pode frear automaticamente ou corrigir situações de risco. Segundo a ZF, esse é um dos pilares da evolução para os chamados veículos comerciais definidos por software. Veja o vídeo acima.
Até sirenes são identificadas
Uma das funções mais curiosas apresentadas pela empresa foi o Rescue Assist (assistente de resgate).
Em vez de utilizar apenas imagens, o sistema emprega microfones instalados no veículo, acima da cabine e no implemento, para reconhecer o som característico das sirenes de ambulâncias, viaturas policiais e caminhões de bombeiros.
Assim, o motorista pode ser avisado antes mesmo de enxergar o veículo de emergência pelo retrovisor ou para-brisa. No vídeo é possível ver a tecnologia em funcionamento.
BBB: caminhão observa até o motorista
A cabine também passou a fazer parte da estratégia de segurança. Uma câmera posicionada diante do condutor acompanha continuamente a direção do olhar, os movimentos da cabeça e até a frequência com que o motorista pisca.
Caso o sistema detecte sinais de fadiga, distração (como mexer no celular) ou sonolência, são emitidos alertas para reduzir o risco de acidentes causados por erro humano. Ela chega a frear o caminhão caso perceba que o motorista dormiu ou desmaiou ao volante.
Ao verificar que o motorista está mexendo no celular, alertas sonoros e visuais são emitidos. Mas o principal, que pode despertar ira nos ocupantes, mas acaba se tornando um ativo supereficiente no momento de chamar atenção para a via, é o cinto de segurança. A peça puxa o motorista várias vezes, como uma sacudida reforçada, para que a atenção seja voltada apenas para o ato de dirigir.
Rodovia e pátio usam tecnologias diferentes
Durante os testes, a ZF demonstrou que o caminhão adapta os sistemas conforme o ambiente de circulação.
Na rodovia, entram em ação recursos como o Highway Assist (assistente de condução em rodovias), que combina controle de cruzeiro adaptativo com assistente de permanência em faixa, além da frenagem automática de emergência (AEBS).
O piloto automático adaptativo tem, ainda, o auxílio de mudança de faixa. Ao identificar mais de uma faixa de rolagem, é possível acionar a seta e o caminhão troca de linha automaticamente.
Já em pátios, centros logísticos e docas, o foco muda completamente. A prioridade passa a ser detectar pessoas, empilhadeiras e obstáculos durante manobras de baixa velocidade.
Para isso, entra em funcionamento o Advanced Reversing Assist (ARA, ou assistente avançado de manobras em ré), que utiliza câmera traseira e sensores para monitorar toda a área atrás da carreta e acionar automaticamente os freios caso alguém atravesse a trajetória do veículo.
Segurança baseada em software
Segundo a ZF, a novidade não está apenas na quantidade de sensores, mas na forma como eles trabalham em conjunto.
Em vez de cada equipamento atuar isoladamente, todos compartilham informações em tempo real para formar uma única percepção digital do ambiente ao redor do caminhão.
É essa integração que permitirá, futuramente, adicionar novas funções apenas por meio de atualizações de software, sem a necessidade de redesenhar completamente a arquitetura eletrônica do veículo. A empresa acredita que esse será um dos principais caminhos para reduzir acidentes envolvendo veículos comerciais nos próximos anos. Essas tecnologias, de acordo com a marca, devem chegar aos caminhões dentro de dois anos.
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