Script = https://s1.trrsf.com/update-1781903735/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Nem Gol, nem Strada: Honda CG é o veículo mais vendido do Brasil e vira cinquentona

Da clássica "bolinha" dos anos 70 à tecnologia atual, conheça a evolução da moto que virou sinônimo de resiliência e liberdade para milhões de brasileiros

20 jun 2026 - 08h00
Compartilhar
Exibir comentários

"Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro. Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro." Ao som de Belchior, a Honda celebrou os 50 anos da CG, mostrando que o veículo mais vendido do Brasil é um verdadeiro sujeito de sorte.

Quando chegou ao Brasil, o mercado de motos, ainda desacreditado, sofria nas mãos da importação. Vale lembrar que o país atravessava o período da ditadura militar — e nem preciso dizer que isso é sinônimo de censura e repressão.

Nesse contexto, a CG 125 mostrou que, apesar de muito "moço", era "são, salvo e forte". Apelidada de "bolinha", ela trazia cromados que tomavam grande parte dos componentes, incluindo o charmoso tanque arredondado.

À época, custava Cr$ 8.800,00 — o equivalente a algo entre 11 e 14 salários mínimos de 1976 — e hoje sairia por algo entre R$ 4.200,00 e R$ 5.500,00 (valores corrigidos com auxílio de inteligência artificial de acordo com o IPCA).

Os anos 90 foram… interessantes. A década começou com o confisco das cadernetas de poupança, algo tão doloroso que não vou me aprofundar, mas que sempre vale lembrar para que não vejamos o futuro repetir o passado. Depois, tivemos a recuperação impulsionada pelo Plano Real, trazendo mais robustez econômica em resposta ao grito de "Que país é esse?", de Renato Russo.

Um país criando corpo precisava de uma moto com mais intensidade. Assim, a Honda CG 125 Today (1989) se transformou na CG 125 Titan, com tanque de combustível mais arredondado, nova rabeta, novas tampas laterais e alças para o garupa.

Pulando para 2004: espere até a madrugada para usar a internet discada no seu monitor de tubo e abra o Orkut para mandar scraps para seus "miguxos".

A trilha sonora dos anos 2000 foi de Felipe Dylon a NX Zero, passando por Ragatanga. Mas o que a Honda poderia dizer era "Oops, I did it again" — tal qual Britney Spears. E sim, eles fizeram de novo. Ainda sob o título de Titan, a inovação ficou por conta do motor OHC de 150 cm³, mais econômico, além de alterações significativas no visual.

Em 2016, chegamos aos 40 anos da CGzinha. A astrologia classifica essa idade como a "crise de autenticidade". Para quem acredita, serve tanto para pessoas quanto para motos, aparentemente.

Foi nessa época que o espírito esportivo da CG floresceu mais uma vez. Ela ganhou uma pintura especial inspirada na HRC (Honda Racing Corporation), com rodas douradas, carenagem mesclando branco, vermelho e azul, além de um selo comemorativo. Também trazia de série o freio tipo CBS, que combina a frenagem entre as rodas.

Estamos chegando ao fim do texto, mas não da história da Honda CG. Afinal, a memória do veículo mais vendido do Brasil (com mais de 15 milhões de unidades vendidas) não cabe em apenas uma matéria. Aliás, textos são guardiões de lembranças, assim como as fotos, como a latinidade apaixonada de Bad Bunny bem pontuou.

Nas imagens abaixo, é possível ver os detalhes da edição comemorativa de 50 anos da CG. Ela traz um minimalismo elegante e discreto, envolto em grafismos exclusivos e elementos que remetem a versões anteriores. Traz também molas do amortecedor e chave de ignição na cor vermelha, além do sistema de freio ABS na dianteira.

Por fim, os 50 anos da CG não são apenas um marco para a Honda, mas uma ode ao espírito desbravador do povo brasileiro, que enfrentou dias sombrios, momentos de virada e encontra, na mobilidade e nas possibilidades que ela traz, um caminho para redesenhar a própria jornada.

Estadão
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra