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Motorista de Uber ganha R$ 35 por hora e valoriza flexibilidade, aponta pesquisa

Estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) ouviu mais de 13 mil motorista em oito países da América Latina e Caribe

28 fev 2026 - 15h03
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Trabalhar como motorista de Uber não é luxo nem comodidade: é uma forma de gerar renda pela falta de opções de trabalho, instabilidade e aumentos do custo de vida. É o que diz um estudo feito pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que envolveu mais 13 mil motoristas.

A pesquisa falou com profissionais que atuam no app de transporte em oito países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, República Dominicana e México.

A pesquisa mostra ainda que o motorista médio da Uber é majoritariamente homem, tem pouco mais de 40 anos e mais da metade completou o ensino superior.

Motorista de Uber tem ganhos de R$ 6 mil por mês

A plataforma também é amplamente usada como uma fonte de renda extra para completar o orçamento doméstico ao final do mês. Porém, o estudo estima que o ganho médio seja de apenas US$ 7 por hora (cerca de R$ 35 na conversão direta) - com variações para cada país.

Com essa receita, em uma jornada de 44 horas semanais, o profissional receberia pouco mais de R$ 6 mil brutos por mês - valor que precisa ser usado para cobrir os gastos com combustível e manutenção do carro, além das necessidades básicas do motorista.

Os motoristas recorrem ao Uber durante recessões na economia, períodos de desemprego ou crises pessoais. "Isso faz com que o trabalho em plataformas funcione menos como uma carreira e mais como um amortecedor diante dos choques econômicos e necessidades de curto prazo", diz o estudo.

Por outro lado, os resultados da pesquisa do BID mostram que "dirigir para uma plataforma não aparece como uma solução mágica para o problema do emprego, mas também não é uma armadilha que leva à precariedade".

O órgão afirma que o estudo expõe os problemas do mercado de trabalho latino-americano, como "informalidade persistente, a fragilidade da renda e a tensão constante entre a flexibilidade que esses aplicativos oferecem, a legislação vigente e a proteção social".

Liberdade?

Outro dado relevante da pesquisa é que quase 50% dos motoristas afirmam que não trocariam o trabalho nestas plataformas por um emprego assalariado -mesmo com a renda equivalente.

Para muitos, a autonomia de poder decidir quando e quanto trabalhar é uma das maiores vantagens. O elemento mais valorizado é a flexibilidade. A maioria trabalha em tempo parcial, geralmente de 10 a 30 horas semanais.

Um ponto que é praticamente inexistente é o pensamento a longo prazo. Apenas um terço dos motoristas contribui para um sistema de aposentadoria e muitos não contam com acesso estável a um seguro de saúde ou outros benefícios.

No Brasil, esse e outros problemas, são abordados em um Projeto de Lei que tenta regulamentar a profissão - abrangendo também os serviços de entrega. O PL tenta criar a figura do "trabalhador plataformizado" na legislação, formalizando a atividade dos motoristas e dos entregadores, mas sem vínculo empregatício com as empresas.

Estadão
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