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Bugatti restaura Veyron e dá ao hipercarro detalhes de Chiron e Tourbillon

Exemplar único passou por restauração especial da marca e recebeu cores, acabamento e rodas inspirados em modelos mais recentes

20 ago 2026 - 09h43
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Foto: Divulgação / Bugatti

A Bugatti decidiu dar uma nova vida a um dos carros mais importantes de sua história. Mais de 20 anos após o início da produção do Veyron, a marca francesa revelou um exemplar único completamente restaurado pela La Maison Pur Sang, divisão dedicada à preservação, restauração e personalização de modelos históricos da fabricante. O trabalho foi realizado de acordo com os desejos do proprietário e incorporou elementos que remetem ao Chiron e ao novo Tourbillon.

O Veyron restaurado faz parte de uma produção limitada a apenas 450 unidades durante os dez anos em que o hipercarro foi fabricado, entre 2005 e 2015. Neste projeto, a Bugatti decidiu ir além de simplesmente devolver o carro às condições originais. A proposta foi preservar a identidade do modelo e, ao mesmo tempo, incorporar materiais e soluções desenvolvidos posteriormente pela própria marca.

A principal novidade está na pintura. O exemplar combina as cores Rouge Rembrandt e Petrol Blue. A primeira foi desenvolvida para o Tourbillon, enquanto a segunda ficou marcada pelo Chiron. As duas tonalidades não estavam disponíveis durante a época de produção do Veyron, tornando o acabamento uma das principais diferenças em relação aos exemplares originais.

O trabalho também alterou alguns detalhes do carro. As rodas mantiveram o desenho clássico do Veyron, mas passaram a ter dimensões maiores. São 20 polegadas na dianteira e 21 polegadas na traseira, permitindo a utilização de pneus com as mesmas dimensões empregadas pelo Chiron sem abandonar o visual original do hipercarro.

No interior, o acabamento foi atualizado com couro Magnolia e costuras Mocassin feitas sob medida no volante e no seletor de marchas. Entre os bancos, a Bugatti instalou ainda um emblema especial que celebra os 20 anos do Veyron.

Outro destaque está no console central, que recebeu acabamento Côte de Genève inspirado na relojoaria. Segundo a Bugatti, a aplicação representa uma forma de levar técnicas tradicionais da alta relojoaria para o interior de um automóvel. O resultado mantém o desenho original do painel e reforça a proposta artesanal da restauração.

O trabalho foi realizado pela La Maison Pur Sang, programa criado pela Bugatti para preservar, restaurar, certificar e, quando solicitado pelos clientes, reinterpretar seus automóveis históricos. Neste caso, todo o projeto foi desenvolvido em conjunto com o proprietário, que participou da definição dos materiais e dos detalhes do exemplar.

Segundo Luigi Galli, especialista em patrimônio e certificação da Bugatti, o objetivo do programa é preservar a autenticidade, a procedência e o futuro dos carros entregues à marca. No caso deste Veyron, a proposta permitiu atualizar alguns elementos sem romper com a identidade do modelo que marcou uma nova era para a fabricante.

A Bugatti não revelou quanto custou a restauração. O valor, porém, certamente não foi baixo. O Veyron já é considerado um carro de coleção e pode alcançar valores na casa dos milhões de dólares no mercado de usados, especialmente nas versões mais raras e potentes.

Mesmo com todas as mudanças, o coração do Veyron continua sendo o conhecido motor W16 de 8,0 litros com quatro turbocompressores. Na configuração original, o conjunto entregava 1.001 cv e era associado a um câmbio de dupla embreagem de sete marchas e tração integral.

Nas versões mais potentes, como o Veyron Super Sport e o Grand Sport Vitesse, o motor chegou a produzir 1.200 cv. O modelo se tornou um marco da indústria ao combinar desempenho extremo com características de um grand tourer, algo pouco comum entre os hipercarros de sua época.

O Veyron foi posteriormente sucedido pelo Chiron, que manteve o W16 de 8,0 litros com quatro turbos, mas elevou a potência para pelo menos 1.500 cv. Já o Tourbillon representa uma mudança radical na fórmula, com um motor V16 aspirado de 8,3 litros combinado a três motores elétricos, formando um conjunto de 1.800 cv.

Mais raro que os antecessores, o Tourbillon terá produção limitada a 250 unidades, com preço de 3,8 milhões de euros. O Veyron, por sua vez, continua valorizado entre colecionadores justamente pela importância histórica de ter inaugurado a era moderna dos hipercarros da Bugatti.

Agora, graças ao trabalho da La Maison Pur Sang, um dos 450 Veyron produzidos ganhou uma configuração que mistura a história do modelo com elementos dos dois carros que deram continuidade ao seu legado.

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