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Jogamos: Total War: Shogun 2 Complete Edition entrega versão inferior do clássico de 2011

Base tática no Japão feudal continua excelente, mas trabalho terceirizado apresentou tantas falhas que precisou ser removido das lojas

3 nov 2026 - 15h42
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Jogamos: Total War: Shogun 2 Complete Edition entrega versão inferior do clássico de 2011
Jogamos: Total War: Shogun 2 Complete Edition entrega versão inferior do clássico de 2011
Foto: Reprodução / Sega

Trazer de volta um dos títulos de estratégia mais memoráveis da série Total War parecia uma tarefa tranquila no papel, ainda mais quando o jogo original já funcionava muito bem nos computadores atuais. Mesmo assim, a chegada de Total War SHOGUN 2 Complete Edition conseguiu transformar uma comemoração fácil em uma das maiores dores de cabeça recentes para a SEGA e a Creative Assembly.

Entregue aos cuidados do estúdio externo MATABOO, essa nova versão chegou ao PC prometendo grandes atualizações, como a interface ajustada para 4K, dublagem em japonês e mais de 50 facções secundárias jogáveis. Na prática, o pacote aguentou apenas dois dias nas lojas antes de ser retirado de venda diante de uma enxurrada de críticas, forçando a volta da edição antiga de 2011 para a Steam.

Por baixo de toda a confusão, a estrutura tática que consagrou a disputa pelo Japão feudal continua excelente. Situada no século 16, durante o período Sengoku, a campanha principal coloca você no comando de um clã com o objetivo de conquistar províncias vizinhas, tomar Kyoto e assumir o posto de Xogum.

Fora dos campos de batalha, toda aquela questão de como gerenciar suas jogadas por turnos exige bastante planejamento para o império não quebrar por dentro. Cada rodada pede atenção para equilibrar a produção de arroz, controlar os impostos das cidades, pesquisar melhorias militares e usar agentes como ninjas e monges para sabotar exércitos rivais antes mesmo de declarar guerra.

Quando dois exércitos se encontram e a câmera desce para o combate em tempo real, o peso de cada decisão aparece na mesma hora. Posicionar fileiras de lanceiros Ashigaru para segurar a cavalaria, deixar arqueiros no alto das colinas e escolher o momento exato de avançar com os samurais de katana faz com que qualquer erro de cálculo custe uma tropa inteira. Só que são justamente esses momentos que acabam tornando as batalhas especiais, já que tudo vira aquela questão de tentativa e erro para ganhar conhecimento para os próximos confrontos.

Foto: Reprodução / Sega

Ter todas as expansões reunidas direto no menu inicial também garante dezenas de horas com dinâmicas bem diferentes entre si. Enquanto Rise of the Samurai volta séculos no passado para mostrar a origem da classe guerreira, Fall of the Samurai avança para o século XIX e muda bastante o foco do título ao colocar fuzis modernos, ferrovias, metralhadoras Gatling e bombardeios navais contra os métodos tradicionais. 

Todo esse conteúdo de peso, porém, ficou em segundo plano por conta do trabalho descuidado feito nesta remasterização. Em vez de entregar um visual mais bonito, as mudanças gráficas deixaram a iluminação estranha e trouxeram artes de fundo e texturas ampliadas com o uso de inteligência artificial, tirando boa parte do charme da direção de arte original. 

Para piorar a situação durante as partidas, o desempenho ficou muito mais pesado do que deveria, exigindo configurações fortes até de máquinas que já rodavam o título anteriormente, tudo isso sem entregar estabilidade na taxa de quadros. Somado a isso, problemas antigos voltaram, acompanhados de novos bugs que atrapalham a movimentação das tropas nos cercos e deixam a inteligência artificial perdida no meio dos confrontos.

Ver a própria Creative Assembly admitir que tirou os olhos do desenvolvimento externo explica bem o estado em que o produto chegou às mãos do público. Suspender as vendas dessa versão de Total War no PC e devolver o jogo clássico às lojas foi a única saída justa no momento, restando torcer para que a equipe principal realmente conserte o estrago antes de tentar relançar o pacote.

Fonte: Game On
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