Jogamos - Survivalist: Invisible Strain é joia oculta entre os jogos de sobrevivência
Título entrega um dos mundos mais reativos e envolventes do gênero
Survivalist: Invisible Strain é o tipo de jogo que passa despercebido por muita gente, mas que entrega mais do que se espera. Com visual modesto e uma proposta de sobrevivência que mistura gerenciamento, relações sociais e decisões morais, o título se destaca justamente pela liberdade que oferece ao jogador.
Mesmo sem o apelo de uma grande produção, ele surpreende com sistemas profundos e mecânicas que exigem atenção a cada passo. É uma daquelas experiências que não se seguram pela aparência, mas pela complexidade escondida debaixo da superfície.
Criando laços no apocalipse
Em Survivalist: Invisible Strain, o jogo é dividido em dois modos. O modo história serve para introduzir as mecânicas principais e tem como pano de fundo a trama que se passa em Moose Valley. Tudo nele gira em torno de criar laços para sobreviver ao apocalipse zumbi. Já o modo sandbox gera aleatoriamente um mundo para o jogador, e sua única preocupação é gerenciar o assentamento e sobreviver até cansar. Minha recomendação é começar pelo modo história. Por mais simples que seja, ele ainda entrega momentos interessantes, com facções bem desenvolvidas e escolhas de diálogos e moralidade que foram muito bem feitas.
Outro detalhe interessante é que, mesmo no modo história, ainda é possível permitir que outros jogadores participem da sua jogatina. Sempre que iniciamos qualquer um dos dois modos, é perguntado se você deseja permitir a entrada de outras pessoas ou prefere jogar sozinho.
O gerenciamento do assentamento, tanto no modo história quanto no sandbox, é um dos pontos altos. É possível personalizar tudo a seu gosto, com áreas para criação de equipamentos, casas para os recrutados e diversas ramificações de construção. Outro elemento bacana é que, em vez de procurar por novos membros, alguns NPCs aparecem na porta da colônia pedindo para entrar. No entanto, esse mesmo sistema também traz ameaças: inimigos podem surgir e facções rivais podem tentar iniciar uma guerra por território. Se seu personagem tiver boas habilidades de diálogo, é possível resolver tudo de forma pacífica. Mas, se preferir partir para a conquista, o jogo também oferece essa liberdade.
Liberdade e profundidade em um mundo que reage a você
Algo que chama bastante atenção no título é como podemos interagir com qualquer NPC. É possível perguntar o nome deles, saber a opinião sobre nosso personagem, buscar trabalho, pedir ajuda para tratar ferimentos e, claro, recrutá-los para o assentamento ou tê-los como companheiros de jornada. Todos os NPCs possuem uma régua de moralidade e relacionamento. Caso façamos algo errado, como ser pego roubando ou ameaçando alguém, é possível até ter a cabeça colocada a prêmio. Por outro lado, se os tratarmos bem, é possível criar laços de amizade e até algo mais. Não há nenhuma limitação na quantidade de relacionamentos, sendo possível até que alguns personagens briguem entre si por você.
A jogabilidade em si é bastante simples. Durante os combates, é necessário travar a mira com um botão para atacar o inimigo desejado. O combate corpo a corpo é eficiente, e as animações estão muito bem feitas para um jogo de escopo menor. Armas de fogo e armas brancas, como o arco, funcionam de forma parecida, com o diferencial de uma pequena mira que aparece durante o uso. Acertar os tiros depende bastante da habilidade do personagem. Um detalhe interessante durante os combates é a possibilidade de trocar a qualquer momento para um dos companheiros que estiver com você.
Nos encontros com zumbis ou inimigos humanos, é importante ficar atento às barras de perda de sangue e fadiga. Quando sofremos efeitos negativos, é preciso cuidar deles imediatamente para evitar que piorem — especialmente a perda de sangue, que pode ser tratada com bandagens e tecidos. Uma mecânica interessante nesse caso é a possibilidade de usar roupas encontradas em carros ou estabelecimentos abandonados para rasgar e estancar o sangramento.
Explorar é bastante satisfatório. Boa parte do que aparece no mapa pode ser investigada para encontrar suprimentos deixados para trás, como em carros abandonados, postos de gasolina e casas em ruínas. Inclusive, é possível utilizar veículos, caso o jogador encontre combustível e as ferramentas necessárias para consertá-los. Outro detalhe interessante na exploração é o sistema climático. O título conta com uma mecânica no qual as roupas influenciam diretamente o conforto térmico do personagem. Roupas muito pesadas podem causar superaquecimento durante o dia, enquanto à noite, se não estivermos devidamente protegidos, o personagem começa a sentir frio — algo que fica visível com a tela congelando pelas bordas.
Uma pena que o título ainda não possua localização em português. Há muitos diálogos com informações importantes, como o nome de remédios indicados por NPCs para tratar infecções após um ataque zumbi. Para quem não é fluente em inglês, essas dicas podem passar despercebidas, o que pode prejudicar a experiência. Resta torcer para que futuras atualizações tragam suporte para o nosso idioma.
Considerações
Mesmo com uma apresentação simples e visual datado, Survivalist: Invisible Strain impressiona pela liberdade e pelo realismo nas interações sociais. Cada NPC tem motivações próprias, cada comunidade reage de forma distinta às suas ações, e o gerenciamento de recursos vai além do básico. Jogar é mergulhar em um sistema vivo, onde alianças e conflitos se formam de maneira orgânica. Uma experiência densa, que merece ser conhecida por quem busca algo mais profundo no gênero de sobrevivência.
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