Do estranho ao genial: os chefes mais bizarros da série Metal Gear
Hideo Kojima e a arte de reinventar as batalhas contra chefões
A série Metal Gear sempre foi sinônimo de surpresas, mas poucas coisas definiram tanto a sua identidade quanto as suas batalhas contra chefes. Longe de serem meros desafios de força bruta, os confrontos com os chefões bolados por Hideo Kojima sempre foram experiências únicas, misturando o absurdo com o genial e forçando os jogadores a pensarem fora da caixa.
De repente, a batalha não era mais sobre quem tinha a arma mais poderosa, mas sobre quem conseguia entender a lógica maluca por trás daquele confronto, misturando narrativa, quebra da quarta parede e mecânicas inesperadas.
São esses momentos que ficam gravados na memória. Quem jogou algum Metal Gear na vida sabe que uma luta contra um chefe não é apenas um obstáculo a ser superado, mas um espetáculo inusitado que nos pega de surpresa e nos faz pensar: "Como ele pensou nisso?".
Confira a seguir aqui no Game On alguns dos encontros mais estranhos — e geniais — da franquia.
Psycho Mantis – O vilão que lia sua mente
A luta contra Psycho Mantis, de Metal Gear Solid (1998), é um marco na história dos videogames. No auge do seu poder psíquico, ele não apenas prevê seus movimentos no jogo, mas quebra a quarta parede ao "ler" seu Memory Card, mencionando outros jogos salvos no console, algo impensável na época.
Além disso, ele controlava o controle com sua “telecinese”, obrigando o jogador a trocar de entrada para conseguir vencê-lo, elevando a batalha a um nível totalmente novo nos videogames. O mais legal desse encontro que não era só uma batalha, era uma provocação pessoal ao jogador, mostrando que o vilão sabia mais sobre você do que deveria.
Fatman – O terror sobre patins
Em Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty (2001), encontramos um inimigo improvável: Fatman, um gordo especialista em bombas que prefere enfrentar Snake patinando e tomando vinho no meio da batalha.
A luta mistura tiroteio, desarme de explosivos e o risco constante de ser surpreendido por alguém aparentemente mais interessado em ostentar sua excentricidade e acrobacias do que em vencer. Um exemplo de como Kojima conseguia transformar uma premissa absurda em um combate tenso e divertido.
The End – O sniper centenário
Em Metal Gear Solid 3: Snake Eater (2004), Kojima entregou uma das batalhas mais lendárias da história dos games. The End, um atirador de elite com mais de 100 anos de idade, oferece um duelo que pode durar horas em um mapa gigantesco.
Mas há um detalhe: se o jogador alterar a data do console ou simplesmente esperar alguns dias no mundo real, o chefe morre de velhice - um detalhe bizarro e hilário que mostra a genialidade de Kojima.
The Sorrow – Um fantasma em vez de um inimigo
Ainda em Snake Eater, encontramos um dos confrontos mais surreais da franquia. The Sorrow é um fantasma que não pode ser ferido com armas. Na verdade, não há combate físico. Você deve atravessar um rio em que fantasmas dos soldados que você matou ao longo do jogo te atacam.
A única maneira de "derrotá-lo" é deixar seu personagem "morrer" e usar a "Revive Pill". É uma batalha psicológica e metafórica, um teste de consciência para o jogador, que é forçado a encarar as consequências de seus atos.
Screaming Mantis – Ecos do passado
Em Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots (2008), Kojima revisitou o legado de Psycho Mantis através de Screaming Mantis, que controla marionetes e até manipula personagens do jogo e o seu próprio controle. No auge da luta, ela tenta recriar o truque do memory card do primeiro Metal Gear, mas agora em um console moderno.
Só Kojima poderia imaginar
De fantasmas a vilões que desafiam as regras do próprio console, as batalhas de Metal Gear nunca foram apenas lutas. Elas são experimentos narrativos e mecânicos que brincam com os limites do que um jogo pode ser. Estranhas, bizarras, geniais — e absolutamente memoráveis.
No fim, é essa mistura de ousadia e loucura que faz de Hideo Kojima um criador único, capaz de transformar o simples ato de enfrentar um chefe em momentos que os jogadores jamais esquecem, provando que um jogo pode ser muito mais do que apenas atirar.
Metal Gear Solid Delta: Snake Eater, remake de Metal gear Solid 3, que está recheado de vilões icônicos, chega em 28 de agosto para PC, PlayStation 5 e Xbox Series.