Earthblade: bom exemplo de saúde mental na criação de jogos
Na coluna Planeta Games, conheça mais da organização no desenvolvimento do novo game da equipe responsável por Celeste
Faz mais de um ano que o estúdio responsável por Celeste anunciou a produção de Earthblade, um jogo de aventura 2D do qual a gente ainda sabe muito pouco e que está previsto para sair em algum momento de 2023.
Mas o estúdio Extremely OK Games fez um post recente sobre o jogo no site oficial da produtora que fala de um detalhe importante dos bastidores: como estão se organizando para ter um ciclo de desenvolvimento saudável e sem prejudicar a qualidade e criatividade do game.
É muito triste que nos últimos anos temos visto várias denúncias de ambientes tóxicos e práticas abusivas em estúdios de desenvolvimento de jogos, mas ao menos é importante ver como o tema virou algo essencial a ser debatido e não é mais um aspecto invisível da indústria como foi por muitos anos.
No texto publicado no último dia 13 de abril, a diretora Maddy Thorson explica como o jogo atualmente está em uma etapa formal de testes no qual a equipe convida pessoas para conhecer o game e ver as reações delas.
Os testes são agendados sempre ao final de cada mês e as duas semanas que precedem a sessão de gameplay são usadas para corrigir erros mais simples e deixar bugs mais complicados para o futuro - uma etapa de 'acelerar o passo', mas sem chegar no cansaço abusivo dos famigerados 'crunches'.
Maddy explica como esse ritmo de trabalho ajuda a equipe a focar em resolver problemas e lapidar ideias, mas mantendo a diversão do projeto e sem exagerar na pressão da entrega.
Earthblade 🌷 Vibe reveal! (🔊sound on!)
A 2D explor-action game in a seamless pixel art world. The next release from the Celeste team, coming 20XX. pic.twitter.com/ceAM80PEaG
— Extremely OK Games (@exok_games) April 19, 2021
Outro detalhe interessante do texto é que Maddy fala sobre como cada integrante da equipe possui projetos pessoais paralelos e hobbies que até podem contribuir de alguma maneira para o desenvolvimento de Earthblade. A rigor, esses projetos são mais para cada um se desenvolver individualmente, mas são também reflexos de uma equipe em sintonia, saudável e consciente da própria saúde mental de cada um.
Claro que cada equipe é única, empresas possuem culturas de trabalho diferentes e não dá para pegar uma fórmula de sucesso em um lugar e aplicar a outros ambientes, mas acho o exemplo da Extremely OK Games importante e feliz de ver assim divulgado pela própria equipe.
O time disparou para o sucesso mundial com a qualidade absurda de Celeste, lançado no início de 2018 e que chegou a ser um dos títulos indicados a melhor jogo do ano na edição daquela temporada do The Game Awards, e acaba ocupando um espaço especial como referência para estúdios e projetos diversos, sejam eles grandes ou pequenos.
Em um mundo cada vez mais preocupado com saúde mental e uma indústria de games passando por constantes e necessárias reflexões sobre rotina de trabalho e produção sustentável, a equipe de Earthblade brilha mais uma vez como um exemplo extremamente relevante.