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Dez anos sem crunch e sem pressa: como a Two Point Studios construiu um império da simulação no seu próprio ritmo

Gary Carr e Jo Koehler, da Two Point Studios, falam sobre a década de Hospital, Campus e Museum e a parceria com a SEGA

2 jul 2026 - 12h39
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Two Point Museum
Two Point Museum
Foto: Divulgação

Alguns estúdios crescem rápido demais e perdem o que os fez especiais no caminho. A Two Point Studios parece ter encontrado o antídoto para isso bem antes de precisar dele. Fundada por veteranos da Bullfrog e Lionhead, nomes que ajudaram a moldar o gênero de simulação nos anos 90 com clássicos como Theme Hospital e Black & White, o estúdio britânico completa uma década mantendo praticamente intacto o time de acionistas originais, a aversão à cultura de crunch e o humor absurdo que virou assinatura da franquia.

De Two Point Hospital a Two Point Campus e Two Point Museum, cada jogo abre um novo ambiente dentro do mesmo universo, sem nunca abandonar de fato uma ideia descartada. Inclusive aquelas que ficam, nas palavras do estúdio, apenas "em espera".

O Game On conversou com Gary Carr, cofundador, e Jo Koehler, sobre o legado dos anos 90, a entrada da SEGA em 2019, o equilíbrio entre profundidade e acessibilidade, e se existe, finalmente, alguma luz no fim do túnel para os fãs que pedem uma sequência de Two Point Hospital.

Game On - Two Point Studios foi fundado por veteranos da Bullfrog e Lionhead, estúdios que moldaram o gênero de simulação nos anos 90. Dez anos depois, o que ainda carregam dessas experiências e o que deixaram para trás?

Gary Carr - Qualidade, qualidade, qualidade. É algo que dizemos muito e algo que realmente buscamos em nossos jogos.

Game On - Os veteranos do estúdio já trabalharam em projetos com ideias de Peter Molyneux (Theme Hospital/Black & White). Como foi fazer os primeiros jogos com total controle criativo?

Gary Carr - Mark e eu tínhamos total controle criativo em Theme Hospital e outros jogos que desenvolvemos no passado. Eu, por exemplo, fui co-criador de Startopia, um jogo em um estilo semelhante. Portanto, assumir o controle criativo na Two Point não era realmente um problema.

Game On - Hospital, Campus, Museum. Cada jogo é um ambiente diferente mas com a mesma linguagem. Como vocês escolhem o próximo "lugar" para o Two Point County, e quais ambientes já foram descartados no caminho?

Gary Carr - Primeiramente, nada é descartado. Às vezes é "colocado em espera", mas nunca descartado de fato. Então, tentamos não falar sobre eles porque, inevitavelmente, podem retornar no futuro. Lembro-me de que foram necessárias pelo menos três reinicializações antes que a Bullfrog finalmente encontrasse a jogabilidade certa para Syndicate.

Game On - O humor da Two Point tem uma assinatura muito específica: britânico, absurdo, inteligente. Como vocês garantem que esse tom se mantenha consistente entre jogos diferentes, com equipes que crescem?

Gary Carr - Ótima pergunta. Temos sorte de que todos os acionistas originais ainda estejam na Two Point, o que ajuda bastante!

Game On - Simulação é um gênero que pune a complexidade excessiva e recompensa a acessibilidade. Como vocês calibram esse equilíbrio a cada novo jogo, especialmente com Two Point Museum, que introduziu mecânicas de expedição inéditas?

Jo Koehler - Encontrar o equilíbrio certo entre profundidade e acessibilidade é um dos maiores desafios. Queremos que os jogadores sintam que estão constantemente descobrindo recursos, mas nunca queremos que se sintam sobrecarregados.

Muito disso se resume a como introduzimos as mecânicas. Em vez de apresentar tudo de uma vez, tentamos adicionar complexidade gradualmente, permitindo que os jogadores ganhem confiança antes de enfrentar novos desafios. O objetivo é que os jogadores sintam que estão aprendendo naturalmente enquanto jogam.

Game On - A SEGA adquiriu o estúdio em 2019. O que mudou concretamente no dia a dia de desenvolvimento depois da aquisição, e o que vocês negociaram para proteger?

Jo Koehler - A entrada para a SEGA em 2019 foi um momento significativo para o estúdio, mas um dos motivos pelos quais tem dado tão certo é que conseguimos manter os elementos que fazem da Two Point Studios o que ela é. Temos muito orgulho de fazer parte da SEGA.

Game On - O estúdio tem muitas pessoas trabalhando junto e deliberadamente evitou crunch culture desde o início. Dez anos depois, isso ainda é verdade? E o que foi necessário sacrificar para manter isso?

Jo Koehler - Manter um modo de trabalho saudável e sustentável continua sendo extremamente importante para nós, e é algo que nos esforçamos para proteger à medida que o estúdio cresceu. Tentamos ser realistas com o escopo e os prazos. É claro que as coisas nem sempre saem como planejado, mas sempre fazemos o nosso melhor.

Game On - O gênero de management sim passou por um momento curioso nos últimos anos: jogos como Dwarf Fortress e RimWorld trouxeram uma complexidade extrema, enquanto vocês foram na direção oposta. Vocês enxergam esses jogos como concorrentes ou como públicos completamente diferentes?

Jo Koehler - Temos um enorme respeito por jogos como Dwarf Fortress e RimWorld. Aliás, o sucesso desses jogos tem sido uma ótima notícia para todos que desenvolvem jogos de gerenciamento. Eles demonstram que existe um grande interesse por jogos de simulação.

Game On - Cada jogo do Two Point County existe no mesmo universo e compartilha elementos narrativos. Existe um plano maior para essa lore, ou ela vai sendo construída organicamente conforme os jogos chegam?

Gary Carr - Um pouco de ambos, na verdade. Definitivamente, evoluímos os personagens e a história do condado ao longo do tempo, mas as equipes planejaram histórias para futuras atualizações e até mesmo para jogos completamente novos. Um dos aspectos únicos dos jogos da Two Point é o mundo em que todos eles se passam. Tudo isso faz parte da criação de uma sensação de conexão entre os nossos jogos.

Game On - Existem planos para uma sequência de Two Point Hospital?

Jo Koehler - Não temos planos concretos para isso no momento, mas quem sabe o que o futuro nos reserva!

Conclusão

A resposta mais reveladora dessa conversa talvez seja a mais curta. Quando perguntado sobre o que muda quando uma equipe cresce, Gary Carr não fala de processos ou estrutura. Fala de pessoas: os mesmos acionistas originais, ainda lá, dez anos depois. Em uma indústria onde fundadores costumam sair logo após uma aquisição grande, a Two Point parece ter encontrado uma forma diferente de crescer sem se perder.

Não existe anúncio de sequência de Hospital nesta conversa, e provavelmente nenhum fã esperava um. Mas existe algo talvez mais valioso: a confirmação de que nada no universo do Two Point County é descartado para sempre, só esperando o momento certo. Para quem acompanha o estúdio há uma década, isso já é motivo de otimismo.

Two Point Studios integra a SEGA desde 2019 e atualmente desenvolve Two Point Museum, disponível para PC, PlayStation, Xbox e Switch.

Fonte: Game On
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