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Como o fim do Dreamcast impulsionou a Xbox Live

Último console da Sega durou pouco, mas inspirou uma das mais populares redes de jogos online

9 set 2021 11h48
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Dreamcast e Xbox
Dreamcast e Xbox
Foto: Reprodução

Lançado há exatos 22 anos na América do Norte, o Sega Dreamcast cravou seu lugar na história dos video games razões positivas e negativas. O último aparelho de uma longa linhagem de consoles e arcades que um dia já representaram o topo tecnológico dos video games, o Dreamcast deixou um legado que vai além de sua biblioteca de jogos, sobretudo por ter sido um console cujo design e recursos foram claramente à frente de seu tempo.

Porém, se boa parte de seus principais títulos seguiu viva em conversões para os consoles da sexta geração (Xbox, PlayStation 2 Nintendo GameCube), há um outro aspecto do Dreamcast que, embora esquecido, é tão importante quanto quando reavaliamos o último console da Sega: como o aparelho inspirou o Xbox, e como seu "espírito" ficou impresso no console da Microsoft.

Windows CE: o mito, o fracasso e a inspiração

Dreamcast Windows CE
Dreamcast Windows CE
Foto: Kotaku / Reprodução

Por conta do selinho com a mensagem "Compatible with Microsoft Windows CE", ainda hoje muitos fãs da Sega e retrogamers assumem erroneamente que o Sega Dreamcast rode sob o famoso sistema operacional da Microsoft, ou que seus games tenham sido desenvolvidos ou mesmo sejam de alguma forma compatíveis com as versões Windows. Ainda que a intenção tenha sido em parte, essa, inclusive a de facilitar conversões de console para computador e vice-versa, a realidade terminou sendo bastante diferente dos planos iniciais.

A história conjunta de Sega e Microsoft começou em maio de 1998, quando a gigante americana dos computadores organizou uma coletiva de imprensa para anunciar para o mundo que a companhia desenvolvia um sistema operacional e ferramentas de desenvolvimento para um console de videogame - no caso, o Sega Dreamcast. Passado o "hype" inicial, o que aconteceu no fim das contas foi que o Dreamcast rodava um sistema operacional proprietário da Sega, e uma versão do Windows CE desenvolvida pela Microsoft servia como sistema opcional sobre o qual os jogos poderiam rodar.

Resident Evil Code: Veronica
Resident Evil Code: Veronica
Foto: Capcom / Reprodução

Isso porque, à parte do sistema operacional de base, isto é, o menu onde o jogador acessa as opções básicas do console, os jogos do Dreamcast vem com um sistema operacional embutido em cada GD-ROM (o disco) responsável por rodar os títulos uma vez acionados no menu principal. Esse sistema presente nos GD-ROMs poderia ser tanto o da Sega quanto o Windows CE, que por sua vez foi o sistema de escolha de poucos títulos, pois a maioria dos desenvolvedores da época preferiu trabalhar com as ferramentas de desenvolvimento da Sega. Dentro da biblioteca de jogos do Dreamcast, apenas cerca de 50 títulos rodavam via Windows CE, sendo Resident Evil: Code Veronica e Sega Rally 2 os mais famosos. 

Na prática, a experiência da Microsoft com o Dreamcast foi um fracasso, pois não apenas as ferramentas de desenvolvimento da companhia americana foram preteridas pelas principais desenvolvedoras de games para consoles, como o aparelho escolhido como vitrine também naufragou menos de 3 anos depois de seu lançamento. Entretanto, o fracasso da parceria com a Sega deixou lições que foram aprendidas e postas em prática com o desenvolvimento do Xbox, o primeiro console da Microsoft, pouco tempo após o anúncio do Windows CE para o Dreamcast, ainda em 1998. Isso porque, apesar de Xbox e Dreamcast serem aparelhos que portam componentes bastante diferentes entre si, ambos foram desenvolvidos com filosofias parecidas, e em certo sentido o Xbox quase foi um "sucessor espiritual" do Sega Dreamcast.

Dreamcast Live Arcade

Phantasy Star Online
Phantasy Star Online
Foto: Sega / Reprodução

Assim como o Dreamcast, o Xbox também contou com uma porta de conexão com a internet de fábrica, sendo pensado desde o início como uma máquina que abrigaria jogos online. A Microsoft conseguiu ir além da Sega nesse sentido, ao lançar o serviço por assinatura Xbox Live, um ano depois do lançamento do Xbox. Como o aparelho foi o primeiro console a contar com um disco rígido interno (8GB de armazenamento, uma enormidade para a época), os assinantes do Xbox Live podiam não apenas jogar com outras pessoas online, como também podiam baixar jogos e conteúdos exclusivos do serviço. O Xbox Live se tornou uma parte essencial da experiência dos consoles da Microsoft, operando atualmente sob o nome Xbox Network.

Além das inspirações e semelhanças de filosofia, a ligação entre Xbox e Dreamcast quase se tornou "umbelical". Na época em que o fim do Dreamcast estava próximo, Isao Okawa, CEO da Sega, teve vários encontros com Bill Gates, fundador da Microsoft. A ideia era fazer o Xbox compatível com os jogos do Dreamcast, de forma que os jogadores do console da Sega tivessem uma nova plataforma para migrarem. Segundo algumas reportagens sobre o assunto, as negociações não vingaram principalmente por falta de acordo justamente sobre o componente online dos games do Dreamcast. Ao menos, as negociações não foram de todo infrutíferas: Sega e Microsoft assinaram um acordo de lançamento de 11 jogos para o Xbox, alguns deles títulos que originalmente estavam em desenvolvimento para o Dreamcast.

O sonho não acabou

Mais de 20 anos depois do lançamento e subsequente fim abrupto, o espírito do Dreamcast vive nos consoles Xbox. Jogos que foram sucesso no Dreamcast como Shenmue e Jet Set Radio tiveram continuações para a caixa preta da Microsoft, assim como Project Gotham Racing, sucesso no Xbox, foi uma evolução de Metropolis Street Racer, original de Dreamcast.

O componente online do console da Sega foi uma inspiração decisiva para o Xbox Live, assim como a experiência do desenvolvimento do Windows CE deixou lições vitais para o desenvolvimento do primeiro console da Microsoft. Nos anos 1990, uma empresa 100% concentrada em softwares para computadores, a MS não tinha experiência nem know-how com consoles de jogos, e é certo que seus engenheiros e desenvolvedores aprenderam com a experiência com a Sega. 

Fonte: Game On
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