Carmageddon: Rogue Shift se perde no caminho ao tentar mudar a fórmula da série
Corridas rápidas e combate exagerado esbarram em repetição e em um formato que não sustenta o jogo
Poucas séries carregam uma identidade tão marcada quanto Carmageddon, principalmente pelo jeito caótico e quase sem regras de encarar cada corrida. Sempre foi um jogo mais sobre o que acontece no caminho do que sobre cruzar a linha de chegada em primeiro lugar.
Carmageddon Rogue Shift tenta mexer justamente nisso ao colocar o foco em progressão e repetição de corridas dentro de uma estrutura roguelite. A proposta até chama atenção no início, mas conforme as partidas avançam, fica claro que essa nova direção não aproveita tudo que a franquia já teve de mais interessante.
Corrida para sobrevivência
Em Carmageddon: Rogue Shift, o mundo foi devastado após a Terceira Guerra Mundial, o que resultou em um planeta completamente destruído. Com o passar dos anos, um suplemento militar conhecido como MiVis surgiu para ajudar na escassez de recursos entre os sobreviventes, mas, com o tempo, aquilo que deveria ajudar acabou se tornando uma mutação. Assim, os que restaram foram se transformando em criaturas conhecidas como Perdidos, que lembram zumbis.
Agora, em 2050, nesse cenário pós-apocalíptico dominado por essas criaturas, os poucos sobreviventes vagam por aí em busca de um local seguro e de uma forma de colocar tudo nos trilhos novamente. O único meio de isso acontecer é chegar ao ponto mais alto de uma montanha, e essa informação não é exclusiva. Outros corredores também entram nessa disputa, iniciando uma corrida até esse local, conhecida como Carmageddon.
Pode até parecer que essa história é interessante, mas ela acaba ficando muito em segundo plano. Em termos de narrativa e interação, tudo se resume a quadros em estilo de história em quadrinhos, sem qualquer tipo de dublagem ou narração. Além disso, o jogo segue uma estrutura linear de corridas e aprimoramentos do carro, chamados aqui de nós, dentro de uma lógica de roguelite, já que ao ser eliminado é preciso começar tudo novamente desde o início.
Em questão de jogabilidade, o título traz corridas bem rápidas quando comparado a outros jogos do gênero. Ele adota um estilo mais arcade no controle dos veículos, o que combina com a proposta.
Durante as corridas, é possível coletar dois tipos de power-ups. Um serve para consertar o carro, já que colisões e atropelamentos danificam o chassi, enquanto o outro recarrega as armas equipadas, como metralhadoras e lança-mísseis. Essa parte até diverte, lembrando bastante Twisted Metal e até mesmo o filme Corrida Mortal, estrelado por Jason Statham, com todo aquele exagero nas explosões.
Mas algo que sempre marcou Carmageddon acaba ficando de lado aqui, que é justamente a ideia de atropelar tudo pelo caminho. O foco das corridas está em vencer, e os Possuídos que aparecem na pista mais atrapalham do que ajudam, já que algumas variações explodem e outras atacam de fora do mapa, lançando projéteis contra os corredores.
O problema é que essas corridas não se sustentam por muito tempo por conta da repetição. Transformar a franquia em um roguelite não foi uma escolha que funcionou tão bem. Os mapas até chamam atenção pelo visual, mas as provas acabam sendo muito parecidas entre si, variando basicamente na dificuldade, no número de voltas e em objetivos que quase sempre pedem apenas para terminar entre os três primeiros.
Por fim, o título conta com um bom desempenho e, graficamente, não é nada impressionante. O visual dos carros até chama atenção e, mesmo com cenários interessantes para um jogo de corrida, não passa muito a sensação de um título da geração atual. O jogo também conta com tradução para o português, que serve mais para explicar o que cada elemento das customizações faz.
Considerações
No geral, o jogo consegue divertir por um tempo com sua jogabilidade mais arcade e com o combate carregado de explosões. Existe um potencial ali, principalmente na forma como as corridas são rápidas e fáceis de entender.
Por outro lado, a repetição aparece cedo e o formato escolhido não sustenta a experiência por muito tempo. Falta variedade, e algumas das ideias clássicas da série ficam de lado, o que acaba deixando a sensação de que o jogo poderia ter ido além. Com isso, mesmo com momentos legais, ele termina mais como uma tentativa que não se encaixa totalmente do que como um retorno sólido da franquia.
Carmageddon: Rogue Shift está disponível para PC, PlayStation 5 e Xbox Series.
Esta análise foi feita no Xbox Series, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela ID Xbox.