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Grime II evolui seu mundo sem abrir mão da sua estranheza

Jogo refina combate e exploração em um metroidvania mais profundo

31 mar 2026 - 11h14
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Grime II evolui seu mundo sem abrir mão da sua estranheza
Grime II evolui seu mundo sem abrir mão da sua estranheza
Foto: Reprodução/Kwalee

Quando Grime foi lançado em 2021 pela desenvolvedora independente Clover Bite, o jogo conquistou um espaço curioso no cenário indie: ele não era o mais polido, nem o mais acessível ou o mais bonito, mas talvez fosse um dos mais autênticos. Uma experiência que trocava o conforto pela estranheza, e fazia disso sua principal força.

Agora, cinco anos depois, sua sequência Grime II chega sem abandonar essas essências, e pelo contrário, consegue amplificar o que já havia sido construído. Confira a seguir aqui no Terra Game On o que esperar desse metrodivania 2D com elementos de soulslike.

Um universo artístico que não quer ser entendido

Se existe algo que desperta a atenção desde o primeiro olhar em Grime II, é a sua direção de arte sombria com cores vibrantes. O jogo continua apostando em um universo que parece ter sido moldado e pintado à mão, como uma escultura viva — um espaço onde pedra, carne e matéria orgânica coexistem de forma inquietante e perturbadora. É um cenário que não busca beleza tradicional, mas sim impacto — um tipo de estética que incomoda antes de fascinar.

Você assume o papel de um “Sem Forma”, uma entidade capaz de absorver e replicar outras existências. A premissa ecoa diretamente os temas do jogo original — identidade, transformação, consumo — mas aqui eles ganham uma camada ainda mais abstrata.

A narrativa, como antes, não se entrega facilmente. Ela está fragmentada, espalhada em detalhes do cenário, diálogos enigmáticos e na própria construção do mundo. Isso cria uma experiência rica para quem gosta de interpretar, mas pode afastar quem busca uma condução mais direta e linear. Grime II não guia — ele provoca.

Combate como extensão da existência

Grime II
Grime II
Foto: Reprodução

Se existe um ponto onde a sequência realmente se destaca, é no sistema de combate. A mecânica de absorção retorna mais refinada e agora funciona como o eixo central da progressão. Aqui, derrotar inimigos não é apenas avançar — é evoluir de forma literal.

Os chamados “moldes”, habilidades adquiridas a partir dos inimigos, ampliam significativamente as possibilidades. Você pode adaptar seu estilo com ataques de longa distância, defesa, mobilidade ou até invocações temporárias. É um sistema que mistura estratégia com experimentação constante.

O combate segue um ritmo bem definido: observar, reagir, absorver, adaptar. Elementos como aparar golpes, agarrar, habilidades à distância e interação com o ambiente — derrubar inimigos em armadilhas, usar o cenário a seu favor — adicionam uma camada tática interessante.

Mas nem tudo é perfeito. Em alguns momentos, o jogo flerta com a injustiça, especialmente quando a leitura dos ataques não acompanha a velocidade das punições. Ainda assim, quando funciona, o combate é envolvente e recompensador.

Exploração que recompensa a curiosidade

Grime II
Grime II
Foto: Reprodução

Como um bom metroidvania, Grime II aposta em exploração não linear, backtracking (retorno a áreas já visitadas) e progressão por habilidades. O mapa está maior, mais vertical e melhor interconectado, incentivando o jogador a revisitar áreas com novas possibilidades.

A evolução não é apenas horizontal — o jogo constantemente desafia você a pensar em como navegar pelo espaço. Subir, descer, encontrar caminhos alternativos, tudo faz parte do design. E o mais importante: explorar quase sempre vale a pena. Há recompensas escondidas, atalhos, upgrades e segredos que tornam cada desvio do caminho principal significativo.

Além disso, a inclusão de opções de assistência — como ajustes de dano — ajuda a tornar a experiência mais flexível para diferentes perfis de jogador.

Grime II
Grime II
Foto: Reprodução

E já que tocamos no assunto, apesar de um início mais acessível, o jogo rapidamente mostra suas intenções. A dificuldade cresce de forma considerável, exigindo domínio das mecânicas e, muitas vezes, repetição para evolução de builds - configurações de armas e armaduras são essenciais para a sua sobrevivência.

Chefões são particularmente exigentes, com múltiplas fases e padrões que precisam ser memorizados. A gestão de cura também entra como fator estratégico, especialmente em batalhas mais longas.

Para alguns, isso será parte do charme. Para outros, pode afetar o ritmo — especialmente quando o progresso (que pode durar cerca de 30 horas ou mais) depende de grind para melhorias.

A beleza da melancolia

Grime II
Grime II
Foto: Reprodução

A trilha sonora aposta em uma abordagem melancólica e atmosférica, com forte presença de piano e violinos, criando uma sensação constante de solidão e contemplação. Não é uma trilha que busca protagonismo, mas sim imersão.

Em muitos momentos, são justamente essas notas suaves e carregadas de emoção que dão sentido ao que está acontecendo na tela. Elas preenchem o vazio daquele mundo estranho e ajudam a transformar a jornada em algo quase introspectivo.

Outro ponto positivo é a presença de localização em português brasileiro, algo cada vez mais essencial — especialmente em jogos com narrativa fragmentada como este.

Mesmo que Grime II não seja explícito em sua história, entender nuances de diálogos, descrições e contextos ambientais faz diferença. A tradução ajuda a reduzir essa barreira, permitindo que mais jogadores mergulhem nesse universo sem depender totalmente de interpretações externas.

É um detalhe que pode parecer pequeno, mas que amplia significativamente o alcance do jogo no Brasil.

Considerações

Grime II - Nota 8
Grime II - Nota 8
Foto: Divulgação / Game On

Grime II reforça tudo o que o original fez de melhor: um mundo único, uma identidade visual marcante e um sistema de combate que vai além do convencional. Ao mesmo tempo, evolui com mais profundidade mecânica, melhor exploração e uma apresentação ainda mais coesa.

A trilha sonora melancólica, a localização em português brasileiro e o refinamento das suas ideias mostram que há um cuidado maior nesta sequência — sem abrir mão da estranheza que define a série. Por outro lado, sua narrativa pouco acessível e picos de dificuldade podem afastar parte do público.

Não é um jogo para todos. Ainda assim, para quem busca um metrodivania fora do padrão, o game se posiciona como uma experiência rara no cenário atual: um jogo que não quer apenas entreter, mas provocar, incomodar e permanecer na memória.

Grime II será lançado em 31 de março para PC, PlayStation 5 e Xbox Series.

Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Kwalee Ltd.

Fonte: Game On
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