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Aether & Iron aposta alto nas escolhas e acerta na construção do mundo

Narrativa forte e boas ideias fazem o jogo se destacar mesmo com limitações na exploração

30 mar 2026 - 14h03
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Aether & Iron aposta alto nas escolhas e acerta na construção do mundo
Aether & Iron aposta alto nas escolhas e acerta na construção do mundo
Foto: Reprodução / Seismic Squirrel

Jogos que apostam em escolhas e narrativa vêm ganhando cada vez mais espaço, principalmente depois do impacto de Disco Elysium. Desde então, vários títulos tentam seguir esse caminho, mas poucos conseguem encontrar uma identidade própria no meio desse estilo.

Aether & Iron consegue se destacar justamente por isso. Mesmo partindo de uma base conhecida, o jogo constrói um mundo interessante, aposta em um estilo visual pouco explorado e cria uma história que prende pela forma como se desenvolve, colocando o jogador no centro de decisões que realmente importam.

Drama em Nova York 

Ambientado em uma Nova York alternativa dos anos 1930, onde os cidadãos são separados por conta da tecnologia de antigravidade conhecida como Éter, a elite vive em uma cidade flutuante, enquanto os mais pobres são submetidos às áreas inferiores.

Aether & Iron nos coloca na pele da contrabandista Gia, que se vê no meio de uma conspiração após seu último serviço, no qual foi contratada para transportar uma cientista renomada das cidades altas. O que parecia ser apenas mais um trabalho simples acaba ganhando proporções muito maiores, colocando a protagonista no centro de um jogo político que pode definir o destino dessas duas realidades em Nova York.

De tudo que o jogo propõe, é impossível não destacar o quão genial e bem escrita é a história, assim como os diálogos. Boa parte da experiência gira em torno dessas conversas, exigindo atenção para tomar decisões que façam sentido em cada situação. A escolha de trabalhar com um estilo “punk” pouco explorado na indústria, o decopunk, com uma estética que mistura noir e elementos retrô, combinada com Nova York como cenário, foi mais do que acertada.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Para se ter ideia de como cada escolha importa, isso já fica claro antes mesmo de iniciar o jogo. É possível optar entre dois modos. Um com morte permanente, que dispensa explicações, e outro com salvamento único. Esse segundo define bem a experiência de Aether & Iron, já que existe apenas um arquivo de progresso durante toda a jornada. Não há como retroceder para corrigir erros, o que faz com que cada decisão tenha peso real, tornando essencial prestar atenção nos diálogos até o fim.

A comparação com Disco Elysium não fica apenas na quantidade de diálogos, mas também no funcionamento do sistema. A protagonista possui atributos que influenciam diretamente nas escolhas, e muitas decisões dependem de testes com dados. É necessário rolar dois dados e torcer para alcançar o valor exigido. O jogo deixa claro a porcentagem de sucesso, mas nem sempre um número alto garante o resultado esperado, especialmente quando o objetivo é extrair informações importantes.

Fora dos momentos de conversa, o jogo também se destaca ao tentar se diferenciar com as seções de combate utilizando o veículo. Esses confrontos seguem uma lógica de turno, lembrando jogos como XCOM ou Final Fantasy Tactics, onde posicionamento é essencial para vencer.

Se aproximar dos inimigos consome energia, o que exige planejamento constante. Ao se posicionar corretamente, é possível colidir com outros veículos, causando dano, mas também recebendo impacto. O carro ainda conta com armas como uma gatling gun e uma escopeta, que dependem diretamente da posição para serem eficazes.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Com o tempo, é possível aprimorar o veículo, tornando os combates mais acessíveis. Ainda assim, a presença dessa camada tática funciona bem dentro da proposta, já que o jogo exige raciocínio em diferentes momentos. Outro ponto interessante é a possibilidade de montar uma equipe antes de certas missões, com personagens que oferecem habilidades únicas durante os confrontos.

A direção de arte também merece destaque. Mesmo com muitas cenas estáticas e pouca exploração direta dos cenários, o jogo adota um estilo próximo de point and click, com uma dublagem de alto nível. A sensação é de estar acompanhando uma história em quadrinhos interativa, com um visual que remete a algo desenhado à mão, cheio de personalidade.

Por fim, vale destacar que o título já conta com legendas em português do Brasil desde o lançamento. O trabalho de localização é muito bom, com termos bem adaptados ao universo do jogo. Itens e descrições no códice também estão bem traduzidos, o que ajuda bastante na imersão. Ver um estúdio menor já atento ao público brasileiro é sempre um ponto positivo.

Considerações

Aether & Iron - Nota 8,5
Aether & Iron - Nota 8,5
Foto: Divulgação / Game On

Aether & Iron é um daqueles jogos que se apoia muito bem na sua narrativa e na forma como envolve o jogador nas escolhas. O sistema de decisões funciona, os diálogos são bem escritos e o mundo criado tem personalidade de sobra para sustentar a jornada até o fim.

Por outro lado, algumas limitações ficam evidentes, principalmente na exploração mais restrita e em certos momentos de gameplay que poderiam ir além. Ainda assim, o conjunto funciona, principalmente para quem procura uma experiência mais focada em história e decisões com peso real ao longo da campanha.

Aether & Iron está disponível para PC.

Esta análise foi feita no PC, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Seismic Squirrel.

Fonte: Game On
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