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Aggelos 2 resgata a magia dos clássicos em uma aventura 16 bits

Metroidvania resgata a essência dos clássicos com exploração, combates rápidos e dois mundos interligados

10 set 2026 - 16h18
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Aggelos 2 resgata a magia dos clássicos em uma aventura 16 bits
Aggelos 2 resgata a magia dos clássicos em uma aventura 16 bits
Foto: Reprodução/PQube

Desenvolvido por François Perez, sob o nome Wonderboy Bobi, o game é a sequência de Aggelos, lançado originalmente em 2018. A nova aventura retorna ao Reino de Lumen, mas aumenta consideravelmente a escala da experiência, abandonando o visual nos 8 bits para abraçar uma estética mais próxima da era 16 bits.

O resultado é uma aventura de ação e plataforma que mistura elementos de metroidvania, exploração não linear, combates rápidos e uma boa dose daquela filosofia dos jogos antigos: vá até lá, encontre alguma coisa estranha e descubra sozinho para que ela serve.

E talvez seja justamente aí que esteja o maior charme de Aggelos 2.

Uma aventura que não precisa reinventar a roda

A trama se passa após os eventos do primeiro jogo, quando os Deuses da Luz se veem à beira da derrota contra o Exército da Escuridão. Para evitar a ruína de Lumen, o herói precisa aprender a dominar seu lado sombrio, alternando entre sua forma celestial e uma forma demoníaca.

Não existe aqui uma tentativa de construir uma narrativa gigantesca, cheia de reviravoltas ou dezenas de personagens. O jogo sabe que sua história é apenas o ponto de partida.

A narrativa funciona como uma desculpa para colocar o jogador no controle do personagem e começar a explorar. É uma abordagem bastante semelhante àquela encontrada em muitos clássicos de ação e aventura dos anos 1990.

O problema é que, em alguns momentos, Aggelos 2 simplifica demais sua própria história. O mundo é visualmente interessante, mas seus habitantes e acontecimentos nem sempre recebem profundidade suficiente para fazer o jogador realmente se importar com aquilo que está acontecendo.

É um daqueles casos em que o gameplay claramente está carregando a experiência nas costas.

Dois mundos que mudam a maneira de explorar

Foto: Reprodução

A principal novidade de Aggelos 2 está na existência de dois reinos interligados: o mundo da Luz e o mundo das Trevas. Em vez de simplesmente criar um mapa gigantesco, o jogo utiliza os dois mundos como uma espécie de quebra-cabeça de exploração.

Uma passagem aparentemente inútil em um reino pode revelar sua verdadeira função quando o jogador visita o outro. Portais permitem alternar entre os mundos, e determinadas áreas, inimigos e obstáculos possuem características diferentes dependendo do lado em que o jogador está.

Essa estrutura funciona muito bem porque transforma a exploração em uma espécie de investigação. Você encontra uma área que ainda não consegue acessar. Depois conquista uma nova habilidade. Volta para um local antigo. Percebe uma passagem que havia ignorado. E então descobre que aquela pequena curiosidade escondia justamente o próximo passo.

É o tipo de progressão que faz o jogador pensar: “E se eu voltar lá?”. E, em um metroidvania, poucas coisas são mais importantes do que despertar essa vontade.

Outra boa ideia nesta sequência está na possibilidade de alternar entre as formas angelical e demoníaca. Cada uma possui características e habilidades próprias, e o jogo utiliza essa diferença tanto nos combates quanto na exploração.

A transformação não existe apenas para mudar a aparência do protagonista. Ela faz parte da lógica do mundo e ajuda a solucionar determinados obstáculos. Isso adiciona uma camada interessante à jogabilidade, especialmente porque algumas situações exigem que o jogador pense não apenas para onde ir, mas também qual forma utilizar.

O prazer de descobrir um novo caminho

Foto: Reprodução

Como todo bom metroidvania, nosso protagonista começa relativamente limitado e vai recuperando equipamentos e habilidades ao longo da aventura.

A cada novo equipamento ou habilidade desbloqueada, áreas anteriormente inacessíveis ganham uma nova possibilidade. E aqui existe uma das maiores qualidades do jogo: ele não precisa colocar uma seta gigante na tela dizendo exatamente o que fazer. O jogador aprende através da própria exploração.

No entanto, confesso que em determinados momentos, fiquei completamente perdido, sem saber qual deveria ser o próximo passo. E quando isso acontece, a experiência pode se tornar frustrante, já que é preciso revisitar grandes áreas do mapa até finalmente encontrar o caminho correto.

O jogo até oferece pequenos marcadores para indicar objetivos, mas eles nem sempre são úteis, principalmente quando o caminho depende de uma habilidade que ainda não foi obtida ou que passou despercebida durante a exploração.

Aggelos 2 não é um jogo fácil. Mas existe uma diferença importante entre dificuldade e punição. Quando o personagem morre, o jogo não simplesmente destrói todo o progresso obtido. Itens e áreas descobertas permanecem registrados, reduzindo consideravelmente a sensação de punição.

Por outro lado, os pontos de retorno podem ficar relativamente distantes. E isso significa que uma morte causada por um erro simples pode obrigar o jogador a refazer uma parte considerável do caminho.

É provavelmente o aspecto que mais pode dividir opiniões. Para quem cresceu jogando os clássicos, existe uma certa familiaridade nessa dificuldade. Para quem está acostumado aos metroidvanias modernos, que costumam oferecer checkpoints mais generosos, pode ser um pouco frustrante.

A beleza dos 16 bits

Foto: Reprodução

Visualmente, Aggelos 2 é um deleite para quem sente saudade da era 16 bits, em especial da série Wonder Boy. O jogo abandona boa parte da estética 8 bits do original e aposta em sprites mais detalhados, cenários mais coloridos e uma variedade maior de ambientes.

Não é apenas uma tentativa de copiar os jogos de Mega Drive ou Super Nintendo. O jogo utiliza essas referências para construir sua própria identidade. Existem mais de uma dúzia de biomas e uma boa variedade de inimigos, mantendo a aventura visualmente interessante durante boa parte da campanha.

E existe algo particularmente agradável na direção de arte: Aggelos 2 não tenta parecer moderno demais. Ele quer parecer um jogo que poderia ter sido lançado naquela época.

Foto: Reprodução

A trilha sonora segue a mesma filosofia. As composições têm aquele DNA das aventuras de 16 bits, com melodias fáceis de reconhecer e faixas que combinam bem com os diferentes ambientes.

É uma trilha que ajuda a construir a identidade do jogo e reforça a sensação de estar diante de uma espécie de clássico perdido.

Por outro lado, justamente por utilizar algumas músicas durante bastante tempo, a repetição pode ficar perceptível em sessões mais longas. É um pequeno preço a pagar pela proposta retrô.

Outro detalhe que merece elogio é a presença de textos em português do Brasil. Apesar de não ser um RPG com toneladas de texto, sempre é uma boa surpresa ter um jogo mais acessível em nosso idioma. É um daqueles pequenos detalhes que fazem diferença na experiência em geral.

Considerações

Aggelos 2 - Nota 8
Aggelos 2 - Nota 8
Foto: Divulgação / Game On

Aggelos 2 não é um metroidvania revolucionário. Ele não possui a escala de Hollow Knight, a complexidade de um Blasphemous ou a quantidade de sistemas encontrada em alguns dos grandes representantes modernos do gênero. Sua proposta é outra.

Ele quer ser uma aventura retrô divertida, direta e cheia de descobertas. Os dois mundos interligados são uma excelente evolução em relação ao primeiro jogo, enquanto a possibilidade de alternar entre as formas angelical e demoníaca adiciona variedade ao combate e à exploração.

A dificuldade pode incomodar em alguns momentos, principalmente por causa dos pontos de retorno e da necessidade de refazer longos trechos. A narrativa também poderia ser mais desenvolvida, já que o mundo criado pelo estúdio possui potencial para muito mais.

Mas, quando o jogador consegue superar essas limitações, encontra uma aventura que entende perfeitamente o prazer de explorar, descobrir e aprender por conta própria — algo que os jogos de uma época mais simples faziam tão bem.

Aggelos 2 está disponível para PC, PlayStation 5, PlayStation 4, Switch e Xbox Series X/S.

Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela PQube.

Fonte: Game On
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